O estudo aponta que os jovens apresentam níveis mais elevados de conhecimento e maior exposição a produtos financeiros diversificados, ainda que a adesão a produtos de poupança de longo prazo para a reforma seja "ainda limitada".
Mais de metade da população (55%) não está a poupar ativamente para a reforma, a maioria por não ter recursos financeiros suficientes, segundo um estudo divulgado pela ASF, que aponta para a "forte dependência" do sistema público de pensões.
Mais de metade não poupa para a reforma e a maioria é por falta de recursos Sábado
"Quase metade dos inquiridos (45%) dos inquiridos diz que está a preparar financeiramente a reforma. Este grupo inclui tanto quem possui pelo menos um produto de poupança de longo prazo para a reforma [28%], como quem, apesar de não deter esse tipo de produto, afirma poupar atualmente para esse fim [17%]", refere o Observatório Poupança Reforma, plataforma hoje lançada pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).
Os resultados do inquérito à população portuguesa sobre a poupança para a reforma de 2026, que abrangeu 801 pessoas, foram esta terça-feira apresentados na sede da ASF, em Lisboa.
A insuficiência de recursos financeiros foi o principal motivo apontado por quem não está a poupar ativamente para a reforma (55%). Já 27% dos inquiridos que não estão a poupar para a reforma dizem não ter ainda refletido sobre o tema ou consideram ser prematuro.
As restantes razões dividem-se entre preferir outro tipo de investimentos, como imóveis ou depósitos a prazo (4%), têm rendimentos suficientes para garantir qualidade de vida na reforma (3%) ou veem que os produtos de poupança existentes como complexos (2%) ou têm um valor da pensão suficiente (2%).
Por outro lado, criar uma reserva financeira para despesas imprevistas ou de emergência (38%) e atenuar a quebra nos rendimentos na reforma como um rendimento adicional à pensão da Segurança Social (35%) foram apontados como os principais motivos para poupar para a reforma, seguindo-se os benefícios fiscais (12%).
O estudo aponta que os jovens (18 a 34 anos e solteiros) apresentam níveis mais elevados de conhecimento e maior exposição a produtos financeiros diversificados, ainda que a adesão a produtos de poupança de longo prazo para a reforma seja "ainda limitada", com apenas 17% a possuir este tipo de produtos.
Já os adultos em fase de consolidação, com entre 18 e 54 anos e casados ou unidos de facto, "evidenciam comportamentos de poupança mais consistentes, com 40% a realizar poupança para a reforma", enquanto os indivíduos com idades acima de 55 anos "tendem a privilegiar soluções mais conservadoras e imediatas".
No geral, referem os autores, "uma parte relevante da população inquirida" reconheceu a importância de poupar para a reforma, mas esta consciência "nem sempre se traduz na adoção de comportamentos de poupança consistentes".
Quase metade (49%) dos inquiridos considera que a preparação financeira para a reforma deve começar antes dos 30 anos, mas apenas 28% tem efetivamente um produto deste género.
"Os resultados sugerem que esta discrepância pode estar associada à insuficiência de recursos financeiros, aos níveis de conhecimento sobre produtos financeiros e sobre o funcionamento do sistema de pensões, bem como às expectativas quanto à adequação do rendimento durante o período da reforma", apontam os autores.
Da mesma forma, o relatório regista que os resultados "sugerem que a preparação financeira para a reforma em Portugal continua fortemente dependente do sistema público de pensões, permanecendo limitada a utilização de mecanismos complementares de capitalização por uma parte significativa da população".
Entre os inquiridos que não efetuam poupanças para a reforma, 17% refere ter intenção de poupar para a reforma e 24%, apesar de incerteza, "admite a possibilidade de contratar um produto de poupança no futuro".
Dentro deste grupo, cerca de 58% dos inquiridos admite vir a contratar produtos de poupança de longo prazo para a reforma nos próximos dois anos e 28% nos próximos cinco anos, com 6% a apontarem além desse prazo.
Entre os reformados inquiridos, a maioria reconhece, em retrospetiva, que a poupança acumulada não foi suficiente, com metade (53%) a apontar que teria sido importante poupar mais, ainda que não o tenha conseguido fazer, enquanto 24% regista que, "sendo importante, teriam tido possibilidade de o fazer". Já um quinto (21%) não atribui relevância a um maior esforço de poupança no passado.
Quanto ao conhecimento dos produtos financeiros, mais de três em cada quatro inquiridos diz conhecer ações, planos poupança-reforma (PPR), certificados de aforro ou do tesouro, fundos de investimento e criptoativos ou criptomoedas, enquanto ETF (32%) e produtos mutualistas (39%) são destacados entre os menos conhecidos.
Os depósitos a prazo são o principal instrumento contratado entre os inquiridos, com 42%, seguindo-se os PPR (31%), os certificados de aforro ou do tesouro (27%), ETF (24%) e ações (18%).
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.