A ERSE reviu em alta o valor da tarifa de eletricidade no mercado regulado, aumento que eleva a subida em 2026 para 1,7%, contra apenas 1% de aumento registado no ano passado.
A luz vai ficar mais cara. A partir de 1 de outubro os clientes
do mercado regulado vão sentir um aumento de 2,7% no valor da eletricidade,
agravamento que deverá ser acompanhado pelos operados no mercado liberalizado.
Um casal com filhos vai passar a pagar quase 100 euros por mês.
Radar
“Face aos parâmetros regulatórios estabelecidos,
verificando-se um desvio de mais ou menos 0,010 euros por kWh relativamente ao
custo de aquisição inicialmente previsto, a tarifa de energia é atualizada em mais
0,005 euros/kWh”, diz o regulador ao anunciar a decisão de decretar a revisão
em alta das tarifas dentro de 15 dias.
A tradução desta revisão é uma fatura mais elevada. “Para a
maioria dos clientes domésticos do mercado regulado, a atualização representa
um aumento de aproximadamente 2,7% na fatura média mensal de eletricidade”,
diz a ERSE, apresentando simulações para diferentes tipos de clientes.
De acordo com a ERSE, um casal sem filhos, que tenha
contratada uma potência de 3,45 kVA e um consumo de 1.900 kWh/ano, vai passar a
pagar mais 95 cêntimos de euro por mês, com a fatura a crescer para 37,77
euros.
O aumento é bastante mais expressivo no caso de um casal com
dois filhos, em que se considera uma potência contratada de 6,9 kVA e um consumo
de 5.000 kWh/ano. Neste caso, o aumento é de 2,70 euros por mês, com a fatura a
aproximar-se dos três dígitos: 97,73 euros.
Este agravamento vai impactar todos os consumidores no
mercado regulado, que ascendiam a 779 mil clientes, em junho de 2026, representando
cerca de 4,6% do consumo total de eletricidade.
“Esta alteração não condiciona o mercado livre a repercutir
a mesma atualização de preços”, nota a ERSE, salientando que cada
comercializador segue a sua própria estratégia de aprovisionamento de
eletricidade e procura oferecer as melhores condições comerciais em ambiente
concorrencial”. Contudo, a prática tem sido a de os operadores do mercado livre
seguirem o exemplo.
O aumento decretado para 1 de outubro vem elevar o
agravamento anual dos preços da eletricidade no mercado regulado para 1,7%, uma
variação bastante mais expressiva do que aquela que foi registada no ano
passado. Em 2025, a subida foi de 1%.
A ERSE diz que o aumento registado este ano “reflete a
tendência de subida dos preços no mercado spot (mercado grossista onde se
compra e vende energia elétrica para entrega imediata ou a muito curto prazo)
ao longo de 2026”.
“A magnitude desta subida era de difícil previsão aquando da
definição das tarifas para 2026, uma vez que se deve em grande parte aos
efeitos da guerra entre o Irão e os Estados Unidos, que impulsionou o preço do
gás natural e, consequentemente, o da energia elétrica”, nota, salientando que
o impacto foi “particularmente evidente a partir do terceiro trimestre, período
em que o peso das renováveis é menor no total da produção de energia elétrica
nacional”.
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