Secções
Entrar

Primeiro elétrico da Ferrari recebido com ceticismo pelo mercado: custa meio milhão de euros

Lusa 27 de maio de 2026 às 07:24

O Luce oferece 1.000 cavalos de potência, atinge os 100 quilómetros por hora em 2,5 segundos e tem uma autonomia de mais de 530 quilómetros. Possui ainda quatro motores elétricos, um para cada roda.

A Ferrari apresentou na terça-feira o seu primeiro automóvel totalmente elétrico ao Presidente de Itália e ao papa Leão XIV, mas ainda tem de convencer os investidores e o consumidor.

Ferrari apresentou um modelo elétrico Ferrari

A fabricante automóvel italiana revelou o Luce EV, mesmo enquanto outros concorrentes do segmento de luxo reduzem os seus ambiciosos planos no campo dos elétricos, num momento de queda da procura em alguns mercados do mundo, noticiou a agência Associated Press (AP).

O lançamento foi recebido com ceticismo pelo mercado e pela crítica especializada.

John Elkann, presidente da icónica marca, apresentou o novo modelo a Leão XIV na residência de verão do papa em Castel Gandolfo, a sul de Roma.

O Luce oferece 1.000 cavalos de potência, atinge os 100 quilómetros por hora em 2,5 segundos e tem uma autonomia de mais de 530 quilómetros. Possui ainda quatro motores elétricos, um para cada roda.

De acordo com alguns 'media', o preço do Luce em Itália será de 500.000 euros.

"Não estamos simplesmente a apresentar um novo automóvel, estamos a inaugurar um capítulo que transforma a nossa visão em realidade, fortalecendo a tradição da Ferrari de antecipar e moldar o futuro", vincou Elkann, citado num comunicado.

A empresa, que também vende veículos híbridos, investiu milhares de milhões de euros para entrar na corrida dos elétricos, mas reduziu o seu objetivo de que 40% da sua linha de produtos fosse totalmente elétrica até 2030 para 20%.

Apesar das grandes expectativas do construtor automóvel mais valioso da Europa para o seu primeiro produto elétrico, o mercado não reagiu bem ao veículo e as ações da Ferrari caíram a pique 8,4% na terça-feira, na bolsa de Milão.

Na Internet e entre os críticos automóveis, a reação foi negativa, apontando que o Luce se distancia da estética habitual da marca.

Robby DeGraff, gestor de 'insights' de produto e consumidor da empresa AutoPacific, considerou o Luce "talvez o modelo mais controverso a ostentar o 'Cavallino Rampante' e questionou se a marca precisa de um veículo tão caro. Mas acrescentou que a Ferrari pode querer manter-se competitiva em mercados com exigências rigorosas de emissões.

A empresa está a lançar o veículo elétrico no meio de um mercado global volátil e incerto para este tipo de motorização.

As vendas de automóveis elétricos atingiram os 20 milhões a nível global no ano passado, representando um em cada quatro automóveis novos vendidos em todo o mundo como elétricos, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

As vendas aumentaram mais de 30% na Europa em 2025, segundo a AIE.

Mas o mercado automóvel europeu está a tornar-se cada vez mais competitivo devido à entrada de marcas chinesas, que atraem os consumidores com a sua tecnologia avançada a preços mais baixos.

Artigos Relacionados
Artigos recomendados
As mais lidas