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Novo Banco diz adeus ao Estado com lucro a crescer para 200 milhões

Negócios 30 de abril de 2026 às 07:13

São os derradeiros resultados do Novo Banco enquanto parte da esfera pública. A assinatura do contrato de venda da instituição financeira aos franceses do BPCE é assinada esta quinta-feira.

O Novo Banco registou um lucro de 200,7 milhões no primeiro trimestre de 2026, valor que representa um crescimento de 13,2% face ao período homólogo. 

Mark Bourke, Novo Banco Miguel Baltazar

Foi a última apresentação de resultados do banco que no verão de 2014 sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES). Ao longo destes quase doze anos a instituição financeira foi alvo de polémica, sobretudo em torno das injeções feitas pelo Fundo de Resolução (FdR), que se financiou junto do Estado. 

O Novo Banco - a marca foi criada pelo então governador Carlos Costa, que decidiu a resolução do BES, "partindo-o" em dois: o "banco mau" (BES) e o "banco bom" (Novo Banco). Foi vendido ao fundo norte-americano Lone Star em 2017, que ficou com 75% do capital, sendo os restantes 25% propriedade do Estado (11,46%) e do FdR (13,54%). 

No acordo de compra foi incluído o mecanismo de capitalização, que obrigava o Fundo a injetar capital sempre que as perdas originadas por ativos tóxicos herdados do BES fizessem cair os rácios de capital. Foi o que aconteceu: dos 3,9 mil milhões de euros possíveis, o FdR injetou aproximadamente 3,4 mil milhões. 

Há quase um ano chegava ao fim o suspense em torno da venda. Nesse período, e perante a hipótese de o banco ser comprado pelo Caixabank, dono do BPI, ressurgiu em Portugal o medo da "espanholização" da banca que levou o Governo a escrever a Madrid manifestando desconforto com essa possibilidade.

O cenário caiu definitivamente por terra em junho de 2025, quando o grupo francês BPCE anunciou a compra da instituição financeira por 6,4 mil milhões de euros - um valor que será revisto em alta face à evolução do banco, que é hoje um dos mais rentáveis do sistema. 

A operação será fechada hoje, sem cerimónia pública, a meio da manhã. Será o fim de um capítulo da história financeira do país. 


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