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Ambientalistas questionam estabilidade da rede com prolongamento de Almaraz

Lusa 24 de outubro de 2025 às 19:07

A continuidade da operação da central "coloca claramente em risco toda a transição energética", disse o coordenador da campanha de Energia da Greenpeace, Francisco del Pozo, frisando que "prorrogar o encerramento é uma loucura, porque a hora é agora".

Organizações ambientalistas questionam se o prolongamento da vida útil da central nuclear de Almaraz, em Espanha, solicitada pelos proprietários Iberdrola, Endesa e Naturgy, vai trazer estabilidade à rede elétrica após o apagão de abril.

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As empresas enviaram uma carta ao Ministério espanhol da Transição Ecológica a solicitar a extensão da vida útil da instalação da Extremadura para além de 2027, segundo o El País e confirmado à EFE por fontes do setor.

A continuidade da operação da central "coloca claramente em risco toda a transição energética", disse o coordenador da campanha de Energia da Greenpeace, Francisco del Pozo, em declarações à EFE, frisando que "prorrogar o encerramento é uma loucura, porque a hora é agora".

O coordenador argumentou que estender a vida útil de Almaraz não vai servir para dar estabilidade ao sistema elétrico, citando, como exemplo, o que aconteceu após o apagão de 28 de abril, em que as centrais nucleares, assim que percebem problemas, desistiram e levaram semanas para entrar em operação por diversos motivos.

Por sua vez, o porta-voz para o clima e energia da organização espanhola Ecologistas en Acción, Javier Andaluz, lembrou que a regulamentação é clara quanto ao processo de renovação e considerou que é "irrelevante se a licença é de um ou 10 anos", pois "deve ser aplicado o procedimento que ofereça as máximas garantias e os investimentos em segurança necessários".

Javier Andaluz questionou ainda se este adiamento "serve ou não para a estabilidade da rede" e, a este respeito, reforçou que o que aconteceu depois do apagão, em abril, é a evidência clara de que não.

Também o Movimento Ibérico Antinuclear, em comunicado, denunciou a "fraude" que o prolongamento da central de Almaraz implicaria, argumentando que manter a sua vida útil é "o primeiro passo para frustrar o plano de encerramento e chantagear a população para que pague pelos seus negócios e pelos seus resíduos radioativos".

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