Algarve? Of course!: Guerra no Médio Oriente coloca Portugal na rota de turistas ingleses
Portugal surge como um dos destinos que pode absorver os cerca de 3 milhões de turistas britânicos que tradicionalmente viajam para os países do Golfo Pérsico no verão.
Os ataques norte-americanos e israelitas ao Irão, e a consequente escalada regional, deixaram milhões de turistas que tinham as férias de verão planeadas para o Médio Oriente à procura de uma opção e Portugal pode ser um dos grandes beneficiados.
Miguel Quintas, presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), explica à SÁBADO que a procura tem aumentado, sobretudo no Algarve, mas também em Lisboa e no Porto. Já o presidente da Região Turismo do Algarve, André Gomes, começa por reforçar que “a instabilidade do ponto de vista internacional não é do proveito de ninguém”, para depois partilhar que “os empresários estão com expetativas muito positivas, até para a Páscoa, onde alguns hoteleiros têm taxas de ocupação superiores a 70 ou 80%”.
O líder da ANAV refere que “anualmente, quase 3 milhões de passageiros ingleses vão para a zona do Golfo, os alemães são cerca de um milhão e agora estão à procura de outras opções”. Para resolver estas questões “os operadores logísticos destes países têm apontado para as suas operações regulares, como é o caso de Portugal, mas também de Espanha”.
Apesar de ainda não existirem dados concretos sobre o possível aumento de turistas em Portugal, Miguel Quintas acredita que “Portugal pode absorver o desvio de cerca de 10% destes turistas, o que só de ingleses pode significar um aumento de mais de 300 mil turistas”. André Gomes recorda que “os dados já demonstram que em janeiro houve um crescimento da ocupação na ordem dos 3%, sobretudo no mercado nacional” e que “os empresários já partilhavam perspetivas muito positivas antes da guerra”. Ainda assim, o presidente da Região Turismo do Algarve reforça que “o Reino Unido é o mercado externo mais importante para o Algarve, também devido à conectividade dos mercados e dos voos diretos do aeroporto de Faro para várias cidades britânicas”.
Ainda assim, Portugal não é o único que está a 'beneficiar' com a fuga destes turistas, “Espanha tem registado aumentos de 30%, em cidades como Madrid e Barcelona, quando comparado com a ocupação do mesmo período no ano passado”. As Caraíbas são apontadas como outro dos grandes destinos procurados pelos turistas que iram para o Médio Oriente.
As previsões da Tui, maior operadora de férias na Europa, referem que Portugal, juntamente com Espanha, Itália, Malta e Croácia, é um dos destinos escolhidos por aqueles que optam por desviar as suas férias do Médio Oriente, segundo avançou o Jornal de Notícias no fim de semana.
Ainda assim, Miguel Quintas alerta que “o turista inglês que vai para aquela região procura sobretudo contacto com a natureza e luxo”. E, apesar do “trabalho importante que Portugal tem feito para aumentar o setor de luxo e da belíssima escala hoteleira que temos para o tamanho do País”, “Espanha está muito mais capacitada para absorver estes turistas”.
O presidente da ANAV refere que “temos de continuar este caminho”, no entanto alerta que “este é um acontecimento esporádico” e que as políticas portuguesas não se devem dirigir por este fenómeno: “Estamos demasiado em cima da Páscoa, e até do Verão. É muito difícil neste momento encontrar soluções ativas para chamar clientes além dos que já tinham negociado os pacotes anteriormente”.
André Gomes considera que “acima de tudo Portugal, e especificamente o Algarve, continua a apresentar-se com um destino estável” e “tanto a estabilidade como a perceção de segurança trazem sempre vantagens para os destinos turísticos, especialmente num mundo atual tão competitivo e global”.
Quanto aos turistas portugueses, Miguel Quintas explica que as agências de viagem portuguesas enviam anualmente “cerca de 110 mil turistas para Doha, Abu Dhabi e Dubai, além dos milhares que fazem aqui escala”. E elogia as agências nacionais que “têm conseguido desmarcar estas viagens e oferecer outras possibilidades, especialmente Caraíbas, Brasil e Cabo Verde”.
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