Portugal é campeão europeu de hóquei em patins sub-17

Lusa 12 de agosto de 2017
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José Gonçalves marcou o golo que consagrou Portugal campeão, frente à Espanha. O jovem foi ainda o melhor marcador do torneio

José Gonçalves marcou o 'golo de ouro' que consagrou Portugal campeão europeu de hóquei em patins de sub-17, frente à Espanha (1-0), sendo ainda o melhor marcador do torneio realizado em Itália, numa estreia de sonho pela seleção.

Getty Images
Atualmente de férias em Esmoriz, José Gonçalves, atleta do FC Porto, fala de "um momento marcante" e "ainda muito presente", confessando que durante a final comentou com um colega que ambos iam 'fabricar' o golo da vitória.

O lance surgiu mais tarde, no prolongamento, disputado pela última vez no modelo 'golo de ouro', que garante a vitória à primeira equipa que marcar, já depois da grande penalidade falhada pela Espanha, no final do tempo regulamentar, e resultou efetivamente de uma assistência de João Pedro Pereira para José Gonçalves.

"Estava mesmo convencido de que ia marcar e, no prolongamento, a cerca de minuto e meio do final da primeira parte do tempo extra, iniciámos um contra-ataque e o João colocou-me a bola para eu fazer o desvio final, na área, muito perto do guarda-redes", recordou hoje José Gonçalves, de 16 anos, à agência Lusa.

Ao fim de uma semana de competição, entre 30 de julho e 05 de agosto, Portugal garantia o seu 14.º título continental no escalão, um ano depois de ter perdido a final para a Espanha, também com recurso ao golo de ouro, após 4-4 no tempo regulamentar, e a festa lusa em Fanano, Itália, teve até direito a uma invasão pacífica.

José Gonçalves tinha a mãe na bancada, assim que pôde ligou ao pai, José Nando, antigo futebolista e atual diretor desportivo do Penafiel, na altura na Madeira para a estreia da equipa na II Liga de futebol diante do Nacional, numa altura em que o telemóvel não parava de assinalar mensagens de felicitações, dos avós aos amigos, que seguiram a prova pela Internet, e também de responsáveis do FC Porto.

"Depois de ter sido campeão nacional dois anos seguidos no Valongo, a que se seguiram mais dois títulos nacionais no FC Porto, sabia que podia chegar à seleção e, ao ficar no grupo final para este torneio, a meta era o título europeu. Ser campeão era a expectativa, o resto (melhor marcador da prova, com 10 tentos), veio por acréscimo. Estou a viver um sonho", afirmou.

José Gonçalves considera que estas conquistas dão-lhe ainda mais força para poder repetir as vitórias, que ficarão sempre mais perto de acontecer se as coisas correrem bem no FC Porto, onde continuará a jogar pelos bub-17, com o objetivo de revalidar o título, mas também, em estreia, pelos Sub-20, visando resgatar o título conquistado a última vez pelo Benfica.

É pelos juniores que o novo campeão europeu tentará agora regressar à seleção, mas José Gonçalves aceita a "responsabilidade e a exigência extra" do título conquistado na semana passada, no dia 05, prometendo "nunca desistir e lutar sempre para fazer melhor", mesmo que a modalidade lhe tenha surgido por acaso e quase em simultâneo com o futebol.

José Gonçalves iniciou-se no hóquei no Olá Mouriz, equipa de Paredes, aos quatro anos, por sugestão do avô, para rentabilizar as horas enquanto a mãe não o ia buscar à escola, e durante uns tempos patinou em solitário por falta de colegas da mesma idade.

Resistiu, ganhou colegas e entusiasmo e, três anos mais tarde, aos sete, experimentou o futebol no Penafiel, por influência do pai, antigo profissional formado no clube, mantendo durante alguns anos a prática simultânea das duas modalidades, num calendário semanal duro e sem espaço para folgas.

"Era médio centro e tinha jeito, cheguei mesmo a ir a uma captação de talentos do Benfica, mas, no segundo ano de hoquista no Valongo, o plano de trabalho e de jogos alterou-se. Lutávamos para ser campeões nacionais, e tive de escolher. Mas não estou arrependido", confessou.

Consciente do menor mediatismo do hóquei face ao futebol, José Gonçalves disse apenas estar preocupado em continuar o seu percurso e desfrutar da modalidade, a tempo inteiro ou não, ainda que, no imediato, queira gozar as férias e a 'coroa', afinal de contas, como o próprio explicou, "não é todos os dias que se é campeão europeu".
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