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Câmara do Porto diz que já "fez tudo" pelo Boavista: "Vamos ver se conseguimos salvar o clube"

Record 17:04
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Pedro Duarte sublinha importância que o emblema axadrezado tem "do ponto de vista histórico e até social na cidade"

O presidente da Câmara Municipal do Porto disse, esta sexta-feira, que a situação do Boavista "preocupa muito", mas que a autarquia já fez "tudo" nesta fase pelo clube que tem "um valor inequívoco na cidade".

Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto
Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto Luís Vieira/Movephoto

"De facto, é um clube muito importante, do ponto de vista histórico e, até, social, na cidade, e tem um conjunto muito significativo de milhares de jovens que praticam desporto, têm atividade física, através do Boavista. Tem um valor inequívoco na cidade. Preocupa-nos muito a situação, estamos a acompanhar permanentemente, desde o primeiro minuto", explicou Pedro Duarte.

O edil falava com os jornalistas à margem de uma visita a um novo jardim na freguesia de Ramalde, tendo realçado o papel da câmara como entidade "absolutamente colaborante" no momento que vive o Boavista, emblema do qual o município é um dos credores.

O clube portuense falhou o depósito de 53.680 euros para fazer face às despesas correntes deste mês, bem como outra de 96.000 euros, primeira de três prestações para regularizar dívidas vencidas, levando a administradora da insolvência, Maria Clarisse Barros, a anunciar que iniciará diligências para encerrar a atividade.

Considerando que não compete à autarquia "perturbar o normal funcionamento" do processo que atravessa o emblema axadrezado, cuja insolvência pode ser decidida em breve, nesta fase, referiu Pedro Duarte, não podem "fazer mais do que isto".

Depois de uma decisão de insolvência, passar-se-á a "uma fase diferente, em que a câmara terá uma intervenção de natureza distinta".

"Temos ajudado de todas as formas e mais algumas, o clube reconhece isso mesmo. Ainda ontem [quinta-feira] falei com o presidente, tenho-o feito com regularidade. Tenho de saudar a sua postura, tem mostrado enorme gratidão e agradecimento pelo que a autarquia tem tentado fazer. Vamos ver se conseguimos salvar o Boavista e ajudar estes jovens e crianças", atirou.

Como credor "diminuto, comparativamente com outros", tem reconhecido o papel histórico do clube, campeão nacional masculino de futebol em 2000/01, e "colaborado e dado todas as oportunidades para o clube se poder recuperar e salvar", esta última uma expressão "mais forte, mas mais realista, provavelmente".

De acordo com o requerimento enviado pela administradora da insolvência, Maria Clarisse Barros, ao Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, o Boavista falhou o depósito de 53.680 euros, para fazer face às suas despesas correntes este mês, e de 96.000 euros, respeitante à prestação de janeiro, a primeira de três destinadas a regularizar as dívidas vencidas e não regularizadas.

Depois de ter depositado 55.000 euros em 22 de dezembro de 2025, correspondentes às suas despesas correntes mensais, o Boavista teria de pagar aos credores em janeiro, fevereiro e março, sempre até ao dia 10, mais 96.000 euros, acrescidos da quantia indicada pela administradora de insolvência para suportar os gastos de cada mês.

Como as panteras entraram em incumprimento, Maria Clarisse Barros anunciou que iniciará de imediato as diligências para encerrar a atividade do clube, sem necessitar de nova convocação da assembleia de credores.

Em 16 de dezembro, o clube portuense, que não tem equipa de futebol sénior ativa há dois meses e meio, tinha chegado a acordo com os credores em tribunal para manter a sua atividade, sob o compromisso de cobrir o défice corrente da sua exploração.

Dois dias depois, o Boavista lançou uma campanha pública de angariação de fundos, com quatro formas de participação, dos 40 aos 40.000 euros, que ajudou a liquidar em tempo útil a tranche referente ao mês passado.

A administradora de insolvência já tinha solicitado há dois meses ao tribunal o encerramento da atividade do Boavista - cuja liquidação foi aprovada em setembro -, por estar a gerar prejuízos para a massa insolvente, com o consequente acumular das dívidas.

O clube detém 10% do capital social da SAD, que deveria disputar a 2.ª Liga em 2025/26, mas deixou de ter uma equipa profissional no verão e foi relegada por via administrativa para o principal escalão da Associação de Futebol do Porto, no qual é 18.ª e última colocada, estando a jogar como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, inutilizado desde maio.