Veja aqui o último testamento de Pinto da Costa
Quadros de pintores portugueses famosos, o recheio da casa, condecorações e distinções honoríficas - quem fica com o quê no polémico documento onde deixa um pedido: “Que aqueles que o amam possam viver em harmonia”.
No dia 9 de dezembro de 2024, uma notária do Porto dirigiu-se à casa de Jorge Nuno Pinto da Costa, na mesma cidade, para redigir aquele que seria o último testamento do histórico líder do FC Porto, que viria a morrer a 15 de fevereiro deste ano. No documento, a que a SÁBADO teve acesso e que pode ver aqui, Pinto da Costa revoga o testamento anterior, celebrado a 29 de outubro do mesmo ano. Na sala estavam, além do dirigente desportivo e da notária, um advogado e uma solicitadora, ambos testemunhas do destino que decidiu dar ao seu património.
A mulher, Cláudia Pinto da Costa, é a primeira na lista de legados. "Lega a sua mulher, Cláudia Cristina Esteves Campo Pinto da Costa, os seguintes quadros de pintura", lê-se no documento que lista, em seguida, seis obras de arte. O primeiro é uma natureza morta de Henrique Medina, um dos maiores retratistas portugueses, que pintou os retratos de cinco presidentes da República - o último dos quais Américo Thomaz - mas também do ditador italiano Mussolini. Em junho de 2024, um quadro seu (o retrato da mulher do ex-presidente da República Costa Gomes) foi vendido por 22 mil euros.
Além do retrato de Henrique Medina, à quinta e última mulher de Pinto da Costa são legados os seguintes quadros: O Canto, de autor desconhecido; Paisagem marítima, de Artur Loureiro, outro pintor português com obras em vários museus; Camélias, de Maria Eugénia; Retrato do casal e Retrato de Pinto da Costa com o seu cão Dragão, ambos do pintor António Bessa - o desconhecido artista portuense que se tornou famoso depois de pintar um retrato de Marcelo Rebelo de Sousa. A obra, inspirada em duas fotografias do Presidente, acabou por ser escolhida por Marcelo para ser o seu retrato oficial.
Cláudia Pinto da Costa recebe, também, todo o recheio da casa onde vivia com Pinto da Costa, com duas excepções: os retratos dos filhos do líder desportivo, "que serão para cada um deles - e os livros ali existentes, que serão por eles a dividir igualmente", deixou escrito Pinto da Costa.
Também os filhos Alexandre e Joana recebem obras de pintores portugueses. Ao primeiro é legado o retrato da mãe, Maria Elisa, também da autoria de António Bessa; Marinha, de João Vaz, que pintou e decorou os Passos Perdidos da Assembleia da República, e tem o seu nome em vários teatros e hotéis nacionais, nomeadamente nos frescos da sala de jantar do Palácio Hotel do Bussaco, com passagens dos Lusíadas; e Casa Rural, do político e diplomata João Chagas. No caso de Joana Pinto da Costa, são-lhe destinados os quadros Moinhos (de Aurélia de Sousa) e Natureza Morta, com aquário e peixe dourado (de Carlos Reis).
Já o neto Nuno Alexandre, filho de Alexandre Pinto da Costa, recebeu "as suas [do avô] condecorações e distinções honoríficas, assim como o móvel em que se encontram guardadas."
Tal como o Correio da Manhã já tinha avançado, Pinto da Costa deixa toda a sua quota disponível - a parte da herança de que pode dispor livremente - à mulher e à filha, excluindo o filho Alexandre desta parte do património. A quota é distribuída pelas duas "na proporção de metade para cada uma". No testamento não há, tal como o Correio da Manhã também já tinha escrito, qualquer referência a património ou a contas bancárias.
Pinto da Costa termina o testamento com um desejo que, a julgar pelo processo que o filho interpôs à sua viúva, não parece fácil de realizar. "Que aqueles que o amam possam viver em harmonia, respeitando-se e apoiando-se mutuamente, como sempre procurou que acontecesse."
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