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Há atletas, treinadores e árbitros detidos nas prisões iranianas ameaçados pela pena de morte

Isabel Dantas 21 de março de 2026 às 13:45

A maioria foram presos durante os protestos que ocorreram no país em janeiro.

Saleh Mohammadi, de apenas 19 anos, foi condenado à morte por enforcamento e pelo regime iraniano; o atleta foi preso durante as manifestações que tiveram lugar no início do ano, contra o regime iraniano, e foi um dos três homens executados esta semana, acusados de assassinar dois polícias. Mas há muitos outros desportistas encarcerados no Irão e que enfrentam o mesmo destino.

Futebolista Amirhossein Ghaderzadeh foi condenado à pena de morte Amnesty Iran/X

Ali Pishevarzadeh, guarda-redes de polo aquático, os futebolistas Mohammad Hossein Hosseini e Abolfazl Dokht, a maratonista Niloufar Pas, o campeão de kickboxing Benjamin Naghdi e o pugilista Mohammad Javad Vafaei Sani são alguns dos atletas que atirados para as prisões iranianas depois dos protestos.

O site 'iranintl' diz que "há cada vez mais atletas, treinadores e árbitros detidos, muitos deles vinculados à recente onda de protestos e a distúrbios anteriores". Várias organizações internacionais referem que pelo menos 65 morreram desde janeiro.

Entre os detidos, alguns já executados, estão também o treinador de basquetebol, Payam Vahidi, o treinador de bilhar, Hamzeh Kazemi, e o ex-futebolista Amir Reza Nasr Azadani. O antigo defesa, de 30 anos, foi sentenciado à pena de morte em dezembro de 2022 depois de participar nos protestos contra a morte da jovem Mahsa Amini, que foi condenada pelo uso indevido ao véu islâmico. 

Há também atletas muito jovens, como os futebolistas Abolfazl Dokht e Amirhossein Ghaderzadeh, de 18 e 19 anos, respetivamente, o pugislista Mohammad Mahshar, que conquistou a medalha de bronze nos Campeonatos Asiáticos enquanto juvenil e sub-23, que foi preso a 18 de janeiro juntamente com o seu treinador.  

Os executados são acusados de agir em nome de Israel e dos Estados Unidos, a acusação mais frequente no julgamento dos manifestantes detidos durante os protestos. Fala-se em confissões forçadas, falta de acesso a representação legal e a exclusão de testemunhas de defesa em julgamentos pouco claros. Pessoas próximas de Saleh Mohammadi garantem que o atleta não foi identificado por câmaras de videovigilancia durante os protestos e que as testemunhas abonatórias não foram autorizadas a depor.

A agência 'Iran International' analisou documentos que comprovam que mais de 36.500 iranianos foram mortos pelas forças de segurança durante a repressão aos protestos em todo o país, entre os dias 8 e 9 de janeiro, tornando-se o massacre em protestos de dois dias mais letal da história. Há estimativas de que este número possa ser significativamente maior.

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