Curiosidades dos Mundiais de futebol (3): O Sputnik e o apuramento por sorteio
Em 1954, Espanha e Turquia não decidiram quem se apurava (após três partidas), e tudo se resolveu com um sorteio. Em 1958, o satélite russo Sputnik ajudou a que os jogos dessem na televisão.
O Mundial 2026 começa no próximo dia 11 de junho, com o México-África do Sul como jogo de abertura – vai acontecer no estádio Azteca, da Cidade do México, que vai ser o primeiro a receber partidas de três Mundiais (o México organizou o torneio em 1970 e 1986). Este é também o primeiro Mundial de futebol a realizar-se em três países (Estados Unidos, México e Canadá), algo que vai voltar a acontecer em 2030, pois a competição desse ano decorrerá em Espanha, Portugal e Marrocos. Enquanto não começa a febre dos jogos (e este ano serão, no total, 104, pois este vai ser o Mundial com mais seleções de sempre, 48), veja aqui algumas curiosidades ao longo de quase 100 anos da história da prova. Até ao início, vamos publicar todos os dias curiosidades à volta de dois Mundiais, num total de 11 textos. Este aborda os Mundiais de 1954 e 1958.
Mundial 1954
País organizador: Suíça
Vencedor: Alemanha
1. Foi o Mundial com a maior média de golos de sempre: com 140 golos em 26 partidas, a média foi de 5,38 golos por jogo. Para isso contribuíram várias goleadas, como os 9-0 da Hungria à Coreia do Sul, os 8-3 da Hungria à Alemanha Ocidental, os 7-2 da Alemanha à Turquia e ainda o Áustria-Suíça, que terminou 7-5 e é, até hoje, o jogo de um Mundial com mais golos.
2. A Turquia apurou-se para o Mundial, em detrimento da Espanha, por sorteio. Nas eliminatórias, a Espanha venceu por 4-1 na primeira mão e perdeu 1-0 em Istambul. O jogo de desempate terminou empatado (2-2) e procedeu-se ao sorteio que deixou a Espanha de fora.
3. O Brasil só precisava de empatar com a Jugoslávia para se apurar para a fase seguinte, mas os jogadores não tinham conhecimento disso e acreditavam que era necessário vencer. Ficou 1-1 e com os brasileiros a tentarem, desesperadamente, marcar o segundo golo. No fim da partida, houve vários jogadores a chorar, pensando que tinham sido eliminados.
4. A Escócia perdeu 7-0 com o Uruguai e o treinador da equipa britânica, Andy Beattie, farto das intromissões da comissão técnica no seu trabalho, apresentou a demissão. Foi, até hoje, o único selecionador a demitir-se enquanto decorria um Mundial.
5. O jogo entre Brasil e Hungria ficou na história como a “Batalha de Berna”. A confusão continuou até aos balneários, onde os selecionadores se agrediram. E o brasileiro Pinheiro teve de levar 3 pontos na cabeça depois de ser atingido por uma garrafa atirada por Puskas.
6. Nas meias-finais, o Uruguai chegou ao empate (2-2) contra a Hungria a 4 minutos do fim, e o marcador do golo, Juan Hohberg, no meio de tanta emoção sentiu-se mal e desmaiou. Apesar disso, no prolongamento os uruguaios acabaram por perder 4-2.
7. A final foi disputada entre Alemanha e Hungria, com a equipa magiar sem perder há 32 jogos consecutivos. Os húngaros chegaram a 2-0 aos 8 minutos, mas a Alemanha reagiu e aos 19 já estava 2-2. Na segunda parte, um remate de Helmut Rahn (que já tinha feito o empate), aos 84 minutos, à entrada da área, após uma bola aliviada de forma deficiente pela defesa húngara, valeu o triunfo aos alemães.
Mundial 1958
País organizador: Suécia
Vencedor: Brasil
1. Esta foi a única vez que as quatro seleções do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) se apuraram para um Mundial. E os jogadores irlandeses ainda cometeram a façanha de eliminar a Itália, bicampeã mundial (vencedora em 1934 e 1938).
2. A Inglaterra chegou ao Mundial enfraquecida, pois seis meses antes do torneio perdera três importantes jogadores, que morreram num desastre de avião em Munique. Duncan Edwards, Tommy Taylor e Roger Byrne jogavam no tricampeão Manchester United, que era a base da seleção inglesa. Bobby Charlton, sobrevivente do desastre, foi convocado, mas acabou por não fazer qualquer jogo.
3. Os jogos do Mundial deram na televisão (depois do sucesso da edição anterior), embora apenas para os países europeus – o que foi possível graças ao lançamento do satélite Sputnik III pelos soviéticos (em maio de 1958). Houve 11 países que aderiram a essa “novidade”. Já para fora da Europa, era possível ver os jogos, mas em cassetes previamente gravadas.
4. Nas meias-finais, a Suécia derrotou a campeã Alemanha Ocidental (3-1), num jogo em que os anfitriões usaram os microfones do estádio para aumentar o barulho dos adeptos e motivá-los. Havia vários jogadores suecos em equipas da Liga italiana, e terão aprendido aí as “artes” de provocar os adversários, o que levou o alemão Juskowiak a reagir de forma intempestiva, sendo expulso após uma falta violenta. O capitão Fritz Walter também saiu mais cedo, devido a uma lesão. Como na altura não havia substituições, os alemães acabaram o jogo com 9.
5. Campeã olímpica em 1956, a URSS abdicou da sua grande estrela, Eduard Streltsov, avançado do Torpedo de Moscovo, que era considerado o "Pelé russo": foi acusado de violação e enviado para um campo de trabalho na Sibéria, de onde saiu apenas a 4 de fevereiro de 1963.
6. Na primeira fase, o jogo entre Brasil e Inglaterra terminou 0-0. Foi a primeira vez que isso aconteceu num Mundial e houve jogadores que estavam convencidos que teria de haver prolongamento.
7. Na partida seguinte a esse Brasil-Inglaterra, os brasileiros entraram a todo o gás frente à URSS e aos 5 minutos já venciam por 1-0 e tinham atirado duas bolas à trave, ambas após duas grandes jogadas de Garrincha. Na primeira foi ele que acertou no ferro; na segunda, após fintar dois adversários, deu para Pelé, que também teve pontaria a mais. O Brasil venceu por 2-0.