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Caso Balogun reaviva a "trumpificação" da FIFA: Infantino e Trump são amigos de longa data

Marta Rodrigues 06 de julho de 2026 às 22:10

Relação próxima dos dois líderes tem colocado em causa a neutralidade política da FIFA.

A FIFA assume-se como organização politicamente neutra, mas a relação do presidente, Gianni Infantino, com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, tem levantado dúvidas sobre essa isenção. O caso de Folarin Balogun é a mais recente polémica, mas há muito que a amizade de Trump e Infantino é feita de favores: já valeu ao administrador de futebol um escritório na Trump Tower, e este retribuiu com o Prémio da Paz da FIFA para o norte-americano.  

Trump e Infantino AP Photo/Jacquelyn Martin

Descrito como um “grande amigo” pelo norte-americano, o presidente da FIFA é uma visita regular da Casa Branca e tem aparecido várias vezes publicamente ao lado de Trump, não só em eventos desportivos, mas também políticos – como na cimeira de paz sobre Gaza, no Egito, no ano passado.  

Embora Infantino insista que essa proximidade seja “fundamental” entre a organização e o país que recebe o Campeonato do Mundo, as duas figuras mantêm uma relação mais estreita do que os presidentes anteriores da FIFA com os respetivos líderes onde se realizaram os campeonatos. Aliás, Sepp Blatter, que já ocupou o lugar de Infantino, chamou essa relação de “excessiva” e acusou a organização de se politizar.  

Apoiantes de Infantino teorizam que a proximidade pode servir como tentativa de controlar um presidente “imprevisível” e evitar que as suas políticas interfiram no campeonato. Contudo, isso já se verificou: As restrições de entrada nos EUA, definidas pela administração Trump, já afetaram diretamente o funcionamento do campeonato. O árbitro Omar Abdulkadir Artan, natural da Somália, foi impedido de arbitrar jogos nos EUA porque o seu país de origem está fora da lista para emissão de vistos. 

Outro ponto crítico tem a ver com as guerras, a nível mundial. Enquanto a Rússia já foi impedida de participar em competições internacionais, depois da invasão da Ucrânia, os EUA não tiveram nenhuma restrição, apesar do envolvimento em diferentes conflitos.  

A amizade entre as duas figuras já conta vários anos, com Infantino a assumir publicamente apoio ao norte-americano. Depois da tomada de posse de Trump no seu segundo mandato, Infantino escreveu no Instagram: “Juntos, vamos tornar não só a América grande novamente [Make America Great Again, o slogan do partido republicano], mas também o mundo inteiro.” 

Também a inauguração de um escritório da FIFA na Trump Tower, em julho de 2025, levantou suspeitas sobre uma relação demasiado próxima entre ambos. Já em dezembro, depois de Trump ter mostrado irritação por não ganhar o Nobel da Paz, a FIFA criou um galardão, o Prémio da Paz da FIFA, para enaltecer o “papel do presidente em alcançar a paz mundial”. A decisão gerou críticas devido à ligação política que o prémio acarreta.  

Decisão sobre Folarin Balogun gerou indignação

A mais recente polémica a envolver os dois presidentes diz respeito à reversão da suspensão de Folarin Balogun, jogador norte-americano. A FIFA anunciou a alteração depois de Trump ter falado por telefone com Infantino. Agora, o jogador pode integrar a equipa no jogo contra a Bélgica, esta terça-feira.  

Em comunicado, a UEFA já repudiou a situação, que considera ter ultrapassado “linhas vermelhas”: “Quando a certeza das regras já não é garantida pelos seus guardiões, a integridade do jogo fica em causa e a credibilidade de uma competição é minada. Do mesmo modo, tal decisão cria um precedente no torneio em curso, em que situações semelhantes agora exigirão um tratamento igual, em detrimento da competição." 

O selecionador da Bélgica, Rudi Garcia, também reagiu: "Eu não sabia que, no Campeonato do Mundo da FIFA, o dia 5 de Julho é agora o dia 1 de Abril, e que é o dia das mentiras. Não estamos a defender a selecção nacional nem a federação, estamos a defender o futebol." 

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