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Para que servem os fatos laranja 'abóbora' dos astronautas da Artemis II e como podem salvar vidas?

Cada um deles é feito à medida. Podem ser necessários em caso de emergência e têm de ser adaptados para cada membro da tripulação.

Já olhou para os fatos dos astronautas da Artemis II e questionou o porquê de serem tão grandes e laranja? Desde a missão Apollo, que levou os primeiros astronautas a pousar na Lua em 1969, até hoje, os fatos tornaram-se mais ágeis e diminuíram em volume, mas o seu propósito principal mantém-se: proteger os tripulantes no pior dos cenários. 

Os astronautas da missão Artemis II antes de subirem ao espaço
Os astronautas da missão Artemis II antes de subirem ao espaço AP

Suporte de vida secundário

Estes fatos funcionam como mini-sistemas de suporte de vida. Os astronautas podem permanecer neles pelo menos 144 horas, caso seja necessário. Ao jornal norte-americano  Shane Jacobs, o diretor de tecnologia da David Clark Co., a empresa que forneceu os fatos espaciais para a missão Artemis II, explica que cada fato é feito à medida uma vez que podem ser necessários em caso de emergência e têm de ser adaptados para cada membro da tripulação. 

Se a cabine perdesse a pressão a caminho da Lua, os astronautas não poderiam simplesmente voltar para trás, teriam de continuar a orbitar a Lua. “O fato funciona como um sistema de suporte de vida de reserva secundário”, afirma Shane Jacobs. 

Os membros da missão, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, usaram o fato durante o lançamento, nas fases de alto risco da missão e na reentrada à Terra, podendo viver dentro dele durante seis dias. Novas funcionalidades do fato incluem luvas que permitem aos astronautas utilizar tablets no interior da nave, assim como calçado novo, desenhado em colaboração com a Reebok, cuja sola tem um conector que encaixa no assento. 

Desde a Apollo à Artemis

A David Clark Co. foi fundada em 1935 em Worcester, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos, e ganhou notoriedade pela primeira vez quando fabricou fatos de pressão para grandes altitudes e antigravitacionais para pilotos durante a Segunda Guerra Mundial. 

Nas décadas que se seguiram desenvolveram fatos e equipamento para quase todos os programas de voo de grande altitude e espaciais. Foram eles que criaram o fato de Chuck Yeager quando o norte-americano quebrou a barreira de som, em 1947, e de Felix Baumgartner para o seu salto da estratosfera, em 2012. Foi ainda a David Clark Co. que desenvolveu os fatos espaciais para a NASA, incluindo para as missões Apollo.

Fatos ‘abóbora’

Segundo o jornal norte-americano , a Força Aérea dos Estados Unidos adotou a cor laranja para os seus fatos na década de 1970, uma vez que facilitava o eventual resgate dos pilotos. Quase duas décadas depois, o laranja chegou à NASA depois do desastre da missão Challenger, em 1986, onde os astronautas falecidos usavam fatos azuis. Os de lançamento e reentrada anteriores eram brancos, mas a eficácia do laranja em operações de busca e salvação era superior. À frente apresentam ainda riscas refletoras azuis que formam um ‘V’ que indica as correias externas às quais as equipas de resgate se podem agarrar. As bolsas azuis externas contêm coletes salva-vidas e garrafas de oxigénio de reserva. Dada a cor intensa, os fatos foram apelidados fatos ‘abóbora’.

Já os fatos EVA da NASA, usados pelos astronautas para caminhadas espaciais na Estação Espacial Internacional, continuam a ser brancos porque a cor repele o calor de forma mais eficaz. 

Se tudo correr conforme planeado, os astronautas da Artemis II vão reentrar a Terra e aterrar no Oceano Pacífico esta sexta-feira. Os fatos laranja e elementos refletores no capacete ajudarão as equipas de resgate a localizá-los, caso precisem de sair da cápsula Orion com ajuda.

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