Segundo um estudo da Nova School of Business and Economics.
Os episódios de doença aumentaram nos mais jovens, segundo um relatório divulgado que mostra que há mais portugueses doentes e as barreiras de acesso aos cuidados de saúde continuam elevadas.
Episódios de doença aumentaram nos mais jovens, segundo um estudoMiguel Veterano
Os dados do inquérito de acesso aos cuidados de saúde da Nova School of Business and Economics indicam que, em 2025, 45,5% dos inquiridos disseram ter tido pelo menos um episódio de doença, um aumento de 3,2 pontos percentuais face a 2023 e um valor que se aproxima do máximo registado em 2015 (46,3%).
Elaborado pelos investigadores Pedro Pita Barros e Carolina Santos, o trabalho, que desde 2013 já inquiriu 11.122 pessoas, refere que a proporção de pessoas que reporta ter-se sentido doente tem vindo a aumentar desde os anos mais intensos da pandemia da covid-19 (2020 e 2021).
"Houve mais pessoas a declarar terem sentido pelo menos um episódio de doença e houve um agravamento na faixa etária mais jovem, que nós definimos entre os 15 e os 29 anos, mas com os dados do inquérito não conseguimos identificar as causas desse aumento", explicou à Lusa a investigadora Carolina Santos.
A par deste aumento, segundo os dados recolhidos, houve uma redução entre 2019 e 2025 da probabilidade da população ter médico de família atribuído (de 91% para 79%), assim como das primeiras consultas realizadas dentro do tempo adequado, mostrando elevadas barreiras de acesso aos cuidados de saúde.
"Como muitas das populações mais desfavorecidas, tipicamente, de acordo com a nossa análise, vivem em regiões com mais falta de médico de família, acabam por ser penalizadas também nessa dimensão", explicou.
Os dados mostram ainda que, os mais desfavorecidos, além de terem episódios de doença com mais frequência, enfrentam também maiores barreiras financeiras e não financeiras no acesso aos cuidados de saúde, que o sistema não está a conseguir contrariar.
"A ocorrência de episódios de doença com mais frequência nas classes mais desfavorecidas já mostra uma dimensão de desigualdade e o SNS e o sistema de saúde como um todo não estão, no fundo, a conseguir contrariar essa desigualdade na ocorrência de episódios de doença", disse Carolina Santos.
Apesar de reconhecerem que algumas medidas entretanto tomadas -- como o projeto 'Ligue antes, salve vidas', em que a chamada para a Linha SNS24 evita idas às urgências, ou até o fim da maior parte das taxas moderadoras --, os investigadores frisam que o preço dos medicamentos continua a ser uma barreira financeira no acesso.
"Isto agravou-se", reconhece a investigadora, sublinhando que "se em 2023 a probabilidade de uma pessoa do escalão económico mais desfavorecido não adquirir toda a medicação necessária era de 41%, em 2025 este valor passou para 52%".
Tendo em conta que as despesas com medicamentos continuam a ser a maior fatia da despesa associada à procura de cuidados de saúde (cuidados primários ou urgências), "há aqui uma barreira de acesso à população com mais vulnerabilidades", acrescentou.
A este nível, sugerem que se estude a viabilidade de alargar os regimes especiais de comparticipação a pessoas em situação de vulnerabilidade económica, que, não sendo idosas, não são elegíveis para a comparticipação a 100% de medicamentos sujeitos a receita médica prescritos a beneficiários do Complemento Solidário para Idosos.
Ao mesmo tempo, aumentaram aqueles que, mesmo estando doentes, não procuraram cuidados de saúde, com a percentagem a passar de 11,26% (2023) para 14,26% (2025).
Segundo os dados recolhidos, no topo dos motivos para não procurar o sistema de saúde está a ideia de que o caso não era grave, mas uma percentagem significativa dos inquiridos reporta que não queria esperar por ser atendido.
Em 2025, voltou a aumentar a percentagem de pessoas que, tendo optado por não procurar auxílio no sistema de saúde, decidiram automedicar-se. Ainda assim, a proporção (76,4%) ficou abaixo do máximo registado na pré-pandemia (77,1% em 2019).
Mais doença nos mais jovens e barreiras de acesso ao SNS continuam elevadas
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