Anda violento? Fique mais tempo na cama

Anda violento? Fique mais tempo na cama
Lucília Galha 09 de junho de 2018

Não é por acaso que as mães em privação de sono muitas vezes têm ideias de agressividade em relação aos seus bebés. Descanse: há uma explicação científica para isso.

Se há situação em que as diferenças de género são importantes, dir-se-ia que o sono é seguramente uma delas. O sono dos homens e das mulheres é diferente. Porquê? Porque as mulheres são biologicamente mais complexas. Senão, veja-se: a mulher passa pela primeira menstruação, depois por vários ciclos menstruais, a seguir pela gravidez, o pós-parto e por último pela menopausa. Além disso, "têm mais desafios sociais, são mais vítimas de violência e de agressões culturais", explica à SÁBADO Teresa Paiva, neurologista e responsável pelo Centro de Medicina do Sono. Mais: além de o sono nas mulheres ser mais complicado, também é relativamente desconhecido, o que faz com que a maioria dos estudos que existem seja só com homens. Foi este o mote de um congresso internacional sobre o sono, o Lisbon Sleep Summit – que se realizou em Lisboa, de 16 a 19 de Maio. "Nunca houve uma conferência sobre o sono e as mulheres", diz a especialista, que foi uma das organizadoras do encontro que vai ter lugar na Universidade Católica. A sua intervenção será sobre a relação entre os problemas de sono e a violência. Saiba como estas duas coisas estão relacionadas.

Problemas de sono, maior predisposição para a violência
Sim, é verdade. Mas, mais uma vez, esta associação está mais estudada nos homens do que nas mulheres. Contudo, "sabe-se que no pós-parto, quando as mães estão em privação de sono, muitas vezes têm umas ideias de agressividade em relação ao bebé", diz Teresa Paiva. Há uma explicação científica: quando há privação de sono, a zona das decisões morais, no córtex pré-frontal, fica particularmente afectada e, portanto, a probabilidade de a pessoa ficar mais irritável é maior. "As pessoas nestas circunstâncias têm mais comportamentos de risco e comportamentos violentos", explica a neurologista.

A mulher tem mais tolerância à privação de sono?
Não tem mais tolerância, mas tem maior consciência de que está privada de sono e incapaz para determinadas funções do que o homem. A mulher tem mais consciência dos riscos que corre, diz a especialista. Não quer dizer, contudo, que aguente mais tempo sem dormir. Na verdade, a mulher sofre mais de insónias do que o homem, mas também precisa de dormir um pouco mais.

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