Nem os pacemakers estão a salvo dos hackers

Dina Arsénio 18 de junho de 2017

Hackers de pacemakers e de bombas de insulina não são ficção científica. Sim, o homicídio wireless é possível

Entrar em computadores da CIA ou em telemóveis de celebridades como a actriz Jennifer Lawrence tornou-se banal. Quem ainda não tapou a câmara do seu portátil, que ponha o dedo no ar. Quem persiste em guardar no telemóvel fotografias ousadas está a convidar à pirataria. Mas quando falamos em mexer no pacemaker de um líder mundial, é diferente. Só pode ser ficção, não é? Na série Segurança Nacional, o vice-presidente dos Estados Unidos William Walden (personagem fictícia) acabou assassinado por um grupo de terroristas que conheciam o número de série do seu pacemaker – e, através de controlo remoto, lhe aplicaram choques eléctricos provocando um ataque cardíaco fatal.

Mas Segurança Nacional começou em 2011 e muito antes, no ano 2000, já Dick Cheney, numa decisão de visionário, mandara desligar a ligação wireless – que enviava informações aos médicos – do seu pacemaker. A revelação foi feita em 2013 pelo próprio. Uma nova investigação, agora divulgada, vem reforçar a teoria de que a pirataria pode mesmo chegar à Medicina.

"É possível comunicar com os dispositivos médicos implantados e interceptar o sinal entre o dispositivo e o programador, ou seja, o aparelho que o médico lê e controla", afirmou ao jornal El Mundo a investigadora María Carmen Cámara, uma das responsáveis pelo estudo do Laboratório de Segurança Informática da Universidade Carlos III, em Madrid.

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