Limpar e aspirar pode não ser chato e até dar pontos

Andreia Costa 13 de fevereiro de 2020

Há coisas que têm de ser obrigatoriamente tratadas mas que podem ser transformadas numa espécie de jogo com um objetivo, como um jantar ou um fim de semana fora. Já existem várias "apps" que podem ajudar.


17h03, textos entregues, emails enviados. Para conseguir cumprir o objetivo de ir buscar os miúdos cedo à escola tenho meia hora para correr até ao Centro Comercial Colombo, em Lisboa. A missão chama-se "comprar os brinquedos de Natal e fugir dali o quanto antes". Adoro esta época, lá por casa há renas na escada, azevinho no corrimão e a primeira coisa que fazemos quando chegamos, ao final da tarde, é ligar as luzes da árvore. Contudo, tenho cada vez menos paciência para lojas cheias de gente, filas no estacionamento e ziguezagues pelos corredores para ultrapassar pessoas com sacos gigantes. Por isso, se não faço as compras online, vou com uma meta muito específica e com o cronómetro a contar. Este ano o motivo era também outro: conquistar 15 pontos. Tudo para me aproximar rapidamente da meta traçada na aplicação Labor of Love, uma ferramenta de partilha de tarefas domésticas que funciona com recompensas - quanto mais depressa cumprirmos o que há para fazer, mais pontos ganhamos e mais depressa chegamos ao objetivo. O meu - um jantar fora a dois - até é bastante modesto, mas tendo em conta os horários desencontrados de pai e mãe jornalistas, filhos com 1 e 5 anos, escolas, jantares, banhos e as rotinas banais mas obrigatórias, parece-me uma meta muito apetecível.

Após 23 minutos, duas lojas, um Nenuno cabeleireiro, uma bolsa de maquilhagem de brincar, um Mickey superpiloto e papel de embrulho debaixo do braço, agarro no telemóvel para fazer check e angariar os 15 pontos - com eles completo a minha parte, 50 dos 100 pontos necessários para chegarmos ao fim. Abro a app e, de repente, o ecrã fica preto. Carrego nos botões, nada, nem um sinal, zero por cento de bateria. Tenho vontade de atirar tudo para o chão e gritar, como se fosse o fim do mundo. Felizmente, em três segundos percebo a irracionalidade que isso seria e recomponho-me. Afinal, isto é praticamente só um jogo, não há motivo para entrar em pânico. Só que, enquanto isto, o meu cérebro já pensa em alternativas. Power bank? Troquei de mala de manhã, não tenho. Carregador para ligar o telefone no carro? Ficou em cima da secretária. Tempo até casa? Umas 300 horas, tendo em conta que está a chover, há trânsito e ainda é preciso parar em duas escolas pelo caminho. Praguejo várias asneiras, que ninguém me deixaria reproduzir aqui, enquanto aproveito para deixar um aviso: estas apps facilitam-nos a vida, acabam por ser divertidas mas rapidamente nos deixam viciados e competitivos.

A Labor of Love não é a única aplicação do género. Há várias gratuitas e são a versão moderna e interativa dos post-its. Servem simplesmente para fazer listas do que há para tratar e são melhores do que o velhinho papel porque permitem colocar alarmes, definir a urgência ou partilhar entre pessoas (um casal, a família, etc.) as tarefas. Pensei que esta seria a solução perfeita para mim e para acabar de vez com a praga dos papelinhos que descubro passados meses em bolsos de casacos ou em malas (muitos com coisas que nunca foram feitas).

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