João Paulo II conhecia denúncias de abusos, mas promoveu bispo

João Paulo II conhecia denúncias de abusos, mas promoveu bispo
Ana Bela Ferreira 10 de novembro de 2020

Relatório interno admite que o antigo papa sabia das denúncias antes de ter decidido promover Theodore McCarrick a arcebispo de Washington. Um outro relatório independente à Igreja Católica de Inglaterra e País de Gales mostra que mesmo depois das diretivas do Papa Francisco, há representantes que se recusam a colaborar ou dar acesso a provas.

O Vaticano admite, numa investigação interna, que o antigo papa João Paulo II tinha sido avisado em relação às suspeitas que recaíam sobre Theodore McCarrick, mas mesmo assim decidiu promovê-lo a arcebispo de Washington. A informação está a ser avançada pela CNN. A decisão de promover o arcebispo aconteceu depois do próprio ter garantido a João Paulo II que as alegações de comportamento inapropriado eram infundadas e uma investigação levada a cabo pelos bispos norte-americanos terem relatado ao então papa, que se tratava de "informação imprecisa e incompleta".

Este relatório interno a uma das mais altas figuras do Vaticano surgiu depois de dois anos de investigação. McCarrick chegou a cardeal em 2001, nomeado por João Paulo II, e um ano depois era nomeado arcebispo de Washington. Acabaria por resignar ao Colégio dos Cardeais em 2018, depois de uma julgamento canónico o ter considerado culpado de abuso sexual de menores.

O mesmo relatório absolve Francisco. "Até 2017, ninguém... deu qualquer documentação relativamente às alegações contra McCarrick ao Papa Francisco." O Papa acreditaria que as suspeitas contra o arcebispo norte-americano tinham sido revistas e rejeitadas por João Paulo II.

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