"Eu sou vítima de bullying"

Rita Garcia , Vera Moura 07 de janeiro de 2020

O regresso à escola pode ser dramático. E não é por causa das aulas. Há cada vez mais casos de bullying em Portugal. Ouvimos uma mãe que perdeu o filho, outra que tenta salvar o dela, acompanhando-o em todos os recreios. E descobrimos um agressor arrependido.

O caso de uma criança vítima de bullying em Ermesinde, Valongo, foi divulgado na imprensa. Recorde este artigo, publicado na SÁBADO em 2014, em que ouvimos uma mãe que perdeu o filho, outra que tenta salvar o dela e contamos a história de um agressor que se arrependeu:

Na semana passada, na véspera do primeiro dia de aulas, P. estava muito ansioso. Dormiu mal, agitado, e no dia seguinte acordou muito antes de o despertador tocar. A mãe, Adelaide Nunes, foi deixá-lo à porta da Escola EB 2, 3 da Senhora da Hora, em Matosinhos, e ficou à espera do toque para se afastar do portão. Passou o resto da manhã ali perto, escondida, a olhar discretamente para o recreio. No intervalo, viu que o filho não brincou, não matou saudades dos colegas, não quis saber como tinham sido as férias dos outros. Preferiu ficar sozinho, na entrada, perto de um funcionário.

Para Adelaide, o comportamento do filho não foi uma surpresa. No ano passado, entre Janeiro e Março, Adelaide, a mãe, passou os dias inteiros à porta da escola a protegê-lo das investidas dos colegas. Nos intervalos, o filho, de 11 anos, ia para o portão e ali ficava, a olhar para ela, até tocar outra vez. Nessa altura, uma funcionária ou um professor levava-o de volta à sala de aula, onde o rapaz se sentava imóvel – calado, encolhido, distraído, cheio de medo do próximo intervalo, desejoso que chegasse a hora de ir para casa. Mas em casa comia mal, dormia mal, inventava que lhe doía a barriga, ou a cabeça, ou outra coisa qualquer. Quando a mãe o tentava consolar, chorava e repetia: "Só ando aqui para sofrer... Eu quero morrer."

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