Consegue encontrar cicatrizes ou nódoas negras?

Maria Espírito Santo 09 de julho de 2016

Não se vêem porque a violência doméstica está no passado. Projecto é de neta que quer homenagear a avó que morreu baleada pelo marido

Uma peça de roupa de cor azul, sete perguntas, um retrato. O método é sempre o mesmo e tem significado: sete é o número de filhos que a avó teve, o azul era a sua cor favorita e o retrato é em honra da sua morte – Mableine Nelson Barlow morreu a 13 de Junho de 1975, alvejada pelo ex-marido. Com o projecto Unconventional Apology (algo como pedido de desculpas nada convencional), a neta quer prestar-lhe homenagem, captando a imagem sorridente de mulheres que foram vítimas de violência e sobreviveram.

Para já contam-se 14 retratos: há mulheres de todos os estratos sociais e idades, com enormes sorrisos e sem nódoas negras ou cicatrizes: a ideia é que o poder esteja do lado das vítimas. "Soube, desde o início, que os retratos seriam vibrantes", explica a artista Chantal Barlow à SÁBADO. "Queria que, no futuro, as participantes pudessem olhar para trás e sentir esta celebração." A série fotográfica e de entrevistas está no site (unconventionalapology.com) mas Chantal quer levá-la a escolas e associações ou até transformá-la numa exposição itinerante.

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