CASO MADDIE.

Brückner, um suspeito quase perfeito

Em Maddie: Basta de Mentiras!, o ex-inspetor da Polícia Judiciária denuncia contradições entre testemunhas e conclusões forçadas no processo contra Christian Brückner, o principal suspeito do rapto de Madeleine McCann. A Procuradoria alemã diz que o está a investigar por quatro crimes sexuais cometidos em Portugal. Um deles é o de Maddie.

Hans Christian Wolters, procurador de Braunschweig, na Alemanha, surpreendeu o mundo em junho de 2020 ao afirmar que tinha “muitas provas de que Madeleine foi morta por Christian Brückner”. O suspeito, de 44 anos, condenado a sete anos de prisão pela violação de uma idosa norte-americana em 2005, no Algarve, encontra-se detido na cadeia de alta segurança de Oldenburgo (conhecida como a “Alcatraz germânica”), e está a ser investigado pela prática de vários crimes sexuais. Wolters confirma à SÁBADO que quatro deles foram cometidos em Portugal, incluindo o de Maddie. No entanto, mais de um ano depois da surpreendente declaração, Brückner ainda não foi acusado e desconhecem-se as provas materiais. “Não queremos anunciar descobertas individuais de modo a não prejudicar as investigações em curso”, respondeu o procurador à SÁBADO.

Em Portugal, um homem não foi apanhado de surpresa: Gonçalo Amaral, o ex-inspetor da Polícia Judiciária que liderou a investigação ao desaparecimento da menina inglesa nos primeiros três meses, sabia desde finais de 2018 que “iria surgir um suspeito alemão”. Desde então, concentrou os esforços na dissecação das investigações do BKA – o Bundeskriminalamt, a polícia criminal alemã –, acrescentando as suas conclusões a um livro que estava a preparar desde 2009. “De acordo com a minha conduta profissional, nunca se pode falar de um suspeito de rapto sem haver evidências do próprio rapto”, diz à SÁBADO. “E até hoje ninguém conseguiu provar a presença de um raptor no apartamento de onde a menina desapareceu.”

Nas 294 páginas de Maddie: Basta de Mentiras!, o autor sustenta que o BKA tem “atropelado” os procedimentos basilares de qualquer averiguação criminal por causa de uma obsessão por responsabilizar Brückner pelo sequestro e homicídio de Maddie. “Ao longo da análise da investigação policial e judicial alemã é notória a vontade de ligar Christian B. ao crime da Praia da Luz, revelando-se depoimentos com pouca credibilidade, realizando diligências de prova, tentando construir um perfil de um sadomasoquista, molestador e abusador de crianças, um torturador e assassino de crianças, mas deixando por realizar diligências pertinentes (…). Esta forma de agir por parte da polícia alemã é nitidamente tendenciosa, com a falta de objetividade que deve nortear toda e qualquer investigação criminal”, escreve Amaral no livro. As linhas finais são elucidativas da sua tese: “A criança misteriosamente desaparecida merece uma investigação objetiva e séria e não um monstro costurado a esmo, ou seja, mal costurado.”

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