No bar do hotel com a princesa do Brasil
A SÁBADO entrevistou Maria Gabriela de Órleans e Bragança, membro da monarquia do "país irmão" (extinta em 1889). No espaço do Tivoli, falou da nova vida em Lisboa e da fé, sobretudo no trabalho em marketing.
Longe do esplendor dos palácios, Sua Alteza com pronúncia carioca, Maria Gabriela, tem passado despercebida em Lisboa. Para ela, ser uma princesa do século XXI, nascida e criada na Casa Imperial do Brasil, "não é muito diferente do que qualquer outra pessoa". Mudou-se para cá no início de 2024, pela temperatura amena e afinidade com a língua, depois de nove anos a trabalhar em Bruxelas (Bélgica) na área de marketing. É na Avenida da Liberdade que passamos parte da tarde com ela, mais precisamente no hotel Tivoli, onde esteve com a família 21 anos antes.
Numa segunda-feira cinzenta, a 2 de março, Maria Gabriela de Orleans e Bragança tem entrevista marcada com a SÁBADO às 16h. Chega meia hora atrasada, devido às reuniões de trabalho, avisando da demora várias vezes por WhatsApp e pedindo desculpa. A sessão fotográfica estende-se até ao final da tarde, em vários pontos do hotel: no terraço, passando pelo lobby, até terminar no bar que funciona como antecâmara da Cervejaria Liberdade. Aqui, sem música ambiente (ao contrário dos restantes espaços) fala durante mais de 1h30 sobre a nova vida em Lisboa. Só bebe uma água.
Aos 36 anos, a terceira na linha de sucessão ao trono do Brasil (extinto pela República em 1889) é responsável de marketing na agência de investimentos DealFlow, na mesma avenida, que incentiva investidores a apoiarem starups. Sendo católica, tem fé que tudo correrá bem em termos profissionais. Desloca-se a pé para casa, chegou a tropeçar na calçada e a partir a perna, mas não perde o encanto pela cidade. Vive num apartamento arrendado sem elevador, numa zona central próxima do trabalho. "Foi escrito por Deus para mim: quando eu estava procurando apartamentos para vir para Lisboa, uma amiga falou: 'Conheço uma menina que está saindo de um apartamento nas áreas.'" E instalou-se.
O clima ameno é outro atrativo, diz: "Quando eu cheguei em Portugal e vi o tempo, o inverno com 15 graus de sol, 16 graus, às vezes 20, como esse fim de semana, eu me perguntei do tipo: 'Caramba, como é que eu aguentei nove anos na Bélgica com o tempo?' Mas a Bélgica é tão simpática." Para já, não pondera mudar-se. Sente-se acolhida pelo "país irmão", é próxima dos duques de Bragança – visita D. Isabel de Herédia e D. Duarte com regularidade – e aprecia os pontos turísticos que a cidade proporciona. "É cliché, mas os clichés têm motivo. Gosto do que tem vista sobre o Tejo", diz. O Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Padrão dos Descobrimentos lideram as suas preferências.