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Sociedade médica pede medidas mais duras contra cigarros eletrónicos

Lusa 07:42
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A propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala no domingo, Daniel Coutinho, coordenador da comissão de trabalho de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), diz que é essencial promover campanhas de sensibilização e educação dirigidas aos mais jovens.

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia pediu esta sexta-feira medidas mais duras contra os cigarros eletrónicos e insistiu na necessidade de "desmascarar" a estratégia do marketing a favor destes cigarros e do tabaco aquecido.

Cigarros eletrónicos
Cigarros eletrónicos Frank May/picture-alliance/dpa/AP Images

Em declarações à Lusa a propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala no domingo, Daniel Coutinho, coordenador da comissão de trabalho de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), diz que é essencial promover campanhas de sensibilização e educação dirigidas aos mais jovens, sobretudo para "desconstruir mitos", como a ideia de que os cigarros eletrónicos e o tabaco aquecido podem ajudar quando se quer deixar de fumar.

Lembra que "há evidência consistente que sugere que os cigarros eletrónicos podem ser carcinogénicos", explicando que expõem o organismo a substâncias nocivas, como químicos e metais associados ao desenvolvimento de cancro, e podem causar danos nas células, como inflamação e alterações no DNA.

O investigador diz ainda que alguns estudos em animais identificaram lesões associadas ao desenvolvimento de cancro.

Daniel Coutinho chama igualmente a atenção para o potencial de doença respiratória aguda em jovens consumidores cigarros eletrónicos (conhecidos como 'vape'): "O 'vaping' não é inofensivo. Não há dados que demonstrem quaisquer benefícios para a saúde", sublinha.

"A ideia de que vapear é uma alternativa totalmente segura não é sustentada pela evidência científica", defende o especialista.

Além disso, aponta o risco de algumas pessoas usarem ao mesmo tempo cigarros eletrónicos e tabaco tradicional, o que "aumenta e prolonga a exposição a substâncias nocivas".

Para responder às "estratégias de marketing" relativas a estes dispositivos, a SPP defende a aplicação de um pacote de medidas "robusto, sustentado por evidência de eficácia no controlo do consumo", como o aumento da carga tributária sobre todos os produtos de tabaco e nicotina, a completa proibição de sabores, uma forte regulação da publicidade nas redes sociais e do comércio 'online' destes produtos.

Sugere ainda o acesso universal a apoio especializado para quem quer deixar de fumar, lembrando que o tabagismo continua a ser um dos principais determinantes evitáveis de doença respiratória e morte prematura em Portugal e que deixar de fumar é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de doença respiratória, cardiovascular e mortalidade.

Nas vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala dia 31, a SPP reforça a mensagem de que "a dependência nicotínica é uma doença crónica tratável" e que está provado que é mais eficaz aliar o apoio comportamental à terapêutica farmacológica.

"A substituição por dispositivos eletrónicos não é uma estratégia terapêutica reconhecida, podendo perpetuar a dependência", avisa.

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