Em todo caso, Lagarde apontou que por enquanto "as expectativas de inflação a longo prazo permanecem bem ancoradas", apesar do aumento dos preços e do "peso" que estão a ter nas economias europeias.
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, advertiu esta sexta-feira o Eurogrupo que adotar medidas gerais para responder à guerra no Médio Oriente "prejudicaria" a economia europeia e obrigaria a instituição monetária a rever as decisões sobre taxas de juro.
Christine LagardeCHRISTOPHER NEUNDORF/LUSA_EPA
Numa conferência de imprensa depois da reunião do Eurogrupo (ministros das Finanças da zona euro) em Nicósia (Chipre), a francesa insistiu que as ações por parte dos governos face ao aumento dos preços da energia decorrentes do encerramento do estreito de Ormuz devem respeitar os "princípios" do "triplo t", ou seja, ser temporárias, específicas e à medida ('temporary, targeted and tailored', em inglês).
"Qualquer desvio desses três princípios prejudicaria [a economia] e levaria a uma posição diferente da política monetária", sublinhou.
Ao seu lado, o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, sublinhou que os países concordam que as medidas que adotarem "não deveriam ser contraproducentes" nem agir em sentido contrário à política do BCE. "A política orçamental e a política monetária deveriam andar de mãos dadas", disse.
O político grego explicou que o consenso no seio do Eurogrupo é aderir à proposta da Comissão Europeia de que as medidas contra a crise sejam temporárias e seletivas, apesar de alguns países reivindicarem uma flexibilidade orçamental que não conta com o apoio de todos.
"Mesmo dentro deste debate, que é saudável, todos entendemos que não deveríamos ser contraproducentes. Temos um quadro de regras orçamentais que funciona e que dá credibilidade e tentamos ser ótimos e cirúrgicos em como respondemos à crise. E todos entendemos que não deveríamos contradizer a política monetária", disse.
Além da resposta política à crise, Lagarde evitou detalhar o que fará o BCE na reunião de junho, sobre a qual se especula um aumento das taxas, porque o instituto emissor continuará com uma abordagem baseada em dados e "reunião a reunião", mas destacou o "compromisso" do banco em conseguir que a inflação se "estabilize" no objetivo de 2%.
Bruxelas prevê uma inflação média este ano de 3% e de 2,5% em 2025, e a presidente do BCE assinalou que o impacto do conflito "dependerá da sua duração, profundidade e repercussões", assim como que terá efeitos duradouros mesmo que a guerra "se resolva agora", e que o banco permanecerá "muito atento" ao seu impacto indireto e aos efeitos de segunda rodada.
"O nosso mandato é a estabilidade de preços em 2% e tomaremos as medidas necessárias para o alcançar, mas estaremos muito atentos a todos os possíveis indicadores para medir duas coisas: efeitos de segunda rodada e o ancoramento das expectativas", resumiu.
Em todo caso, Lagarde apontou que por enquanto "as expectativas de inflação a longo prazo permanecem bem ancoradas", apesar do aumento dos preços e do "peso" que estão a ter nas economias europeias.
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