Investigadores do Porto criam robot que monitoriza mar profundo sem embarcações
Com capacidade para descer a seis mil metros e autonomia para ficar semanas no fundo do mar, o robot abre "novas possibilidades para a observação e monitorização de vastas áreas e a grandes profundidades".
Investigadores do Porto desenvolveram um robot que permite observar e monitorizar o mar em áreas vastas e a grande profundidade, dispensando navios de investigação e apresentando custos mais baixos do que os atuais, foi divulgado esta quarta-feira.
A robot PETRA representa "um passo de gigante no sentido de facilitar operações em lugares remotos minimizando a necessidade de recorrer a embarcações", já que as soluções que permite são "diversas e transversais a vários cenários", descreve, em comunicado, o INESC TEC - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência.
O equipamento tem "propriedades únicas que tornam possível manter uma infraestrutura submarina sem recorrer, de forma contínua, a navios de investigação ou de operação 'offshore', nem à utilização de veículos subaquáticos operados remotamente, em operações demoradas e extremamente dispendiosas".
Com capacidade para descer a seis mil metros e autonomia para ficar semanas no fundo do mar, o robot abre "novas possibilidades para a observação e monitorização de vastas áreas e a grandes profundidades, com custos que são uma fração dos das soluções atuais", descreve José Miguel Almeida, investigador do instituto.
"O custo de operação de um único navio pode equivaler ao de uma frota inteira destes robots", sublinha.
De acordo com o INESC TEC, o novo robot, que "vai revolucionar o apoio logístico nas operações do mar profundo", tem a primeira missão marcada para maio de 2027, altura em que permanecerá no fundo do oceano Atlântico durante duas semanas, no âmbito de um projeto europeu.
O investigador José Miguel Almeida explica que se trata de "um sistema muito inovador, pela componente da função de suporte logístico a operações no fundo do mar em lugares remotos".
"Permite transportar e recuperar equipamentos, como nós sensoriais do fundo do mar, recolher os dados por eles registados e recarregar as respetivas baterias", observa.
O INESC TEC lembra que a investigação oceanográfica atual "é muito dependente da existência de navios de investigação como ponto central" e a PETRA "rompe com este paradigma".
"O custo de operar as embarcações convencionais envolve tripulações, motores e geradores a combustão, ruído. Muitas das operações que estas embarcações fazem podem ser, num futuro muito próximo, efetuadas de forma mais eficiente recorrendo a plataformas como a PETRA, possibilitando escalar estas operações e a recolha de informações mais densas espacial e temporalmente", explica o investigador José Miguel Almeida.
Por outro lado, "mesmo em dias de tempestade, este robô pode continuar a operar".
"Nas zonas polares, onde no inverno é praticamente impossível chegar com embarcações, passamos a conseguir recolher dados durante todo o ano", assegura o cientista.
O INESC TEC sustenta que as capacidades da PETRA se estendem ao domínio da defesa e segurança nacional.
"As suas capacidades, custos operacionais e possibilidade de escalar tornam a sua aplicação, em múltiplos desafios de defesa, muito promissora, como uma nova ferramenta que complementa os meios tripulados existentes", refere.
A PETRA pode atuar na "deteção de operações ilegais de exploração submarina" ou na "vigilância de meios subaquáticos (tripulados ou autónomos) em zonas de interesse estratégico", diz.
"Imaginemos que há suspeita de exploração ilegal numa determinada zona, ou que é necessário monitorizar um cabo submarino. A missão é definida a partir de um centro de controlo remoto, e, a partir daí, o veículo é capaz de seguir o plano e tomar decisões autónomas que ajudem a cumprir o objetivo", esclarece José Miguel Almeida.
Se encontrar dificuldades, o robot "regressa à superfície ou a uma base subaquática, comunica com o centro de controlo para reportar e receber atualizações e prossegue a missão".