Influenciadora brasileira Deolane Bezerra detida por suspeita de lavar dinheiro para o PCC
A empresária, de 38 anos, teve 27 milhões de reais em bens bloqueados pela Justiça, o equivalente a 4,65 milhões de euros, além de uma frota de carros de luxo apreendidos na sua mansão.
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, com mais de 21 milhões de seguidores no Instagram, foi presa preventivamente esta quinta-feira por suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), disseram as autoridades brasileiras.
A empresária, de 38 anos, teve ainda 27 milhões de reais em bens bloqueados pela Justiça, o equivalente a 4,65 milhões de euros, além de uma frota de carros de luxo apreendidos na sua mansão.
A advogada, que ganhou fama por ostentar e publicar a sua vida de luxo nas redes sociais, é apontada como “caixa do crime organizado”, segundo a investigação conduzida pelo Ministério Público e a Polícia Civil do estado de São Paulo.
No inquérito policial, a que a Lusa teve acesso, os investigadores descrevem que “Deolane empresta toda a sua estrutura financeira e aparente respeitabilidade social para o trânsito e integração de valores ilícitos”.
Ela chegou a abrir 35 empresas fantasmas para lavar dinheiro para o PCC, especifica.
“Essas empresas são classificadas como veículos de lavagem por apresentarem endereços fictícios em imóveis residenciais, sem qualquer atividade operacional verificada”, lê-se no documento.
Deolane, segundo as investigações, teria usado as próprias contas bancárias para transferir dinheiro para uma transportadora de cargas que lavava dinheiro para a família de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos líderes do PCC.
A transportadora, localizada numa cidade no interior do estado de São Paulo, transferia recursos para outras contas bancárias visando dificultar o rastreamento de dinheiro.
Além de Deolane, a operação de hoje visou Marcola, preso desde 1999, um irmão e dois sobrinhos do líder do PCC e um homem apontado com operador financeiro da transportadora.
Deolane Bezerra entrou na mira dos investigadores após a polícia identificar, em 2019, troca de bilhetes entre presos do PCC que faziam referência “aquela mulher da transportadora”, que mais tarde se comprovou ser a influenciadora digital.
Durante a conferência de imprensa de hoje, os investigadores disseram que a operação teve “caráter pedagógico”, lembrando que Deolane tem mais de 21 milhões de seguidores, e esperam um “efeito inibitório” para mostrar “aos jovens que não existe caminho fácil”.
Questionados pela imprensa brasileira, os advogados de Deolane e de Marcola afirmaram que ainda se estavam a inteirar dos factos.
Deolane Bezerra já foi alvo da polícia e da Justiça brasileira em outros momentos, sendo que um dos casos mais emblemáticos ocorreu em 2024, quando foi detida durante uma operação policial que investigou lavagem de dinheiro e jogos de azar ilegais em plataformas digitais.
Antes de ser presa hoje no Brasil, a empresária esteve, nas últimas semanas, em Roma (Itália), e teve o nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, lê-se no inquérito policial obtido pela Lusa.