Em causa está um luxuoso imóvel que em tempos chegou a ser alugado à Embaixada de Portugal.
A família real do Brasil está em pé de guerra desde o início deste mês por causa de um palácio, avaliado em quase 12 milhões de euros. O príncipe D. Pedro Tiago de Orléans e Bragança, que reside no Palácio do Grão-Pará, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, foi impedido de entrar em casa depois de sair para fazer exercício físico, na sequência de uma ação interposta pela Companhia Imobiliária de Petrópolis - entidade jurídica que gere os interesses fundiários e imobiliários dos herdeiros da antiga Família Imperial brasileira - que tem três Orleáns e Bragança, o pai e os tios de Pedro Tiago, no conselho de administração.
D. Pedro Tiago de Orléans e Bragança luta por palácioInstagram/ Pedro Tiago de Orléans e Bragança
Ao que parece a ideia da Companhia, que gere o imóvel, seria expulsar o príncipe e vender o palácio. D. Pedro Tiago de Orléans forçou a entrada, mas a polícia foi chamada pelos seguranças para responder a uma suposta invasão de residência e a confusão acabou na esquadra. Terá havido até bombas de gás lacrimogéneo... No dia seguinte o príncipe regressou ao palácio mas as fechaduras já tinham sido trocadas.
D. Pedro Tiago de Orléans, trineto da princesa Isabel e pentaneto de D. Pedro I, avançou com um processo para que a Companhia Imobiliária de Petrópolis desocupasse o imóvel. Quando voltou à residência, o príncipe deu por falta de roupas, um tablet, bicicletas, um carro e um quadro, exigindo agora a devolução dos pertences.
Numa nota divulgada pela Casa Imperial do Brasil esta semana é explicado que D. Pedro Tiago foi "privado do acesso aos seus pertences pessoais, documentos e instrumentos de trabalho" após ter ser removido do imóvel, onde alega morar desde que nasceu. Os seus pais teriam casado no próprio palácio, onde o príncipe também foi batizado.
"Trago comigo o legado histórico de uma família como um fardo pesado, tecido por batalhas e lutas através do tempo; uma história contada, às vezes de forma correta, outras de forma errada. Mas é na força que brota do coração que encontro o caminho para honrar o passado, ressignificar as suas marcas e escrever, com verdade, os próximos capítulos", disse o príncipe, citado pela imprensa brasileira.
O palácio foi construído em meados do século XIX em estilo neoclássico e serviu inicialmente como alojamento de funcionários de alta confiança da corte. Depois da Proclamação da República, já foi sede do Tribunal de Justiça, do Colégio Luso-Brasileiro, além de sido alugado à Embaixada de Portugal.
Em 1925 passou a ser moradia do Príncipe do Grão Pará, Dom Pedro de Alcântara, filho da princesa Isabel e bisavô de Pedro Tiago. Nesse período passou por obras de ampliação. Tem uma escadaria monumental, vários salões, 12 quartos, além de várias casas de banho e salas de apoio.
A ré no caso é a Companhia Imobiliária de Petrópolis, que tem o pai e os tios de Pedro Thiago no quadro societário. Por trás da briga estaria a possível venda do Palácio do Grão-Pará, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1930. O imóvel está no nome da imobiliária e é avaliado em torno de R$ 70 milhões.
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