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Begoña Gómez: a mulher do primeiro-ministro espanhol que é perseguida por processos judiciais e escândalos sexuais

Mulher de Pedro Sánchez manteve sempre um perfil discreto até se saber, em 2014, que o pai detinha "saunas sexuais". Agora, há um novo escândalo em que é visada: foi indiciada pela prática de quatro crimes que incluem alegados favorecimentos a empresas pertencentes ao seu círculo.

Nascida em Bilbao, e com 55 anos, Begoña Gómez manteve durante anos um perfil discreto... até 2014. Na altura, o marido Pedro Sánchez não era sequer primeiro-ministro mas a mulher já era alvo de notícia não pelos melhores motivos. Um artigo do jornal ABC fazia menção a documentos que haviam sido apreendidos pelo ex-comissário José Manuel Villarejo e que mencionavam "saunas sexuais" detidas pelo pai de Begoña. Em 2021, gravações obtidas por esse mesmo comissário acabaram por ser divulgadas por vários meios de comunicação social e, tendo o tema reacendido o interesse mediático, as autoridades decidiram incluir esses áudios numa investigação levada a cabo pela Audiência Nacional.

Begoña Gómez ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez
Begoña Gómez ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez JORGE ZAPATA/LUSA_EPA

Apesar do impacto mediático em torno desses materiais, a investigação acabou, no entanto, por não resultar em qualquer tipo de acusação e o tema ficou em banho-maria desde então. Apesar de se ter visto envolvida nesse que seria o seu primeiro escândalo, Begoña Gómez, continuou a levar a sua vida avante. Com estudos em Marketing, trabalhou entre 2000 e 2018 como consultora e diretora de projetos comerciais no Grupo Inmark, mas abandonou a empresa no mesmo ano em que o marido Pedro Sánchez, com quem tem dois filhos, decidiu tentar a sua sorte enquanto primeiro-ministro espanhol. Ainda no mesmo período, passou a liderar o IE Africa Center - um núcleo académico que tem como foco estudos africanos, investigação e programas educativos.

Apesar de ser mulher do primeiro-ministro, Gegoña Gómez conseguiu manter sempre um perfil discreto, mas não durou muito até ter estalado a segunda polémica: em abril de 2024 a associação Manos Limpias apresentou uma denúncia contra Begoña Gómez por alegado tráfico de influências. Além disso, a associação mencionou também supostos favorecimentos de empresas ligadas a pessoas do seu círculo. A queixa acabou por dar origem a diligências por parte do Juízo de Instrução Criminal.

As autoridades começaram a investigar a Cátedra de Transformação Social Competitiva (TSC) da Universidade Complutense de Madrid, ligada a programas de formação, onde Begoña era coordenadora. Havia suspeitas de alegados favorecimentos e uso indevido de recursos públicos, além do desvio de funções institucionais. As autoridades identificaram até cartas de recomendação assinadas por Begoña que terão sido valorizadas, por exemplo, em processos de adjudicação de empresas como a Red.es, vinculada ao Ministério para a Transformação Digital. Nesses processos, as empresas que não tinham cartas de recomendação eram desqualificadas por motivos considerados questionáveis.

Em dois processos de contratação da Red.es, um relatório da Intervenção Geral do Estado (IGAE) identificou até uma dúzia de irregularidades que terão beneficiado também a empresa Innova Next num montante de oito milhões de euros. Esta empresa estava ligada ao empresário Juan Carlos Barrabés, curiosamente, professor na Cátedra que Begoña coordenava.

A mesma investigação sustentava ainda que assessores da Presidência haviam sido usados para dar credibilidade à Cátedra. Terá sido o caso, por exemplo, de Cristina Álvarez que, suspeita-se, terá sido paga com fundos públicos enquanto prestava apoio a atividades privadas ligada a esta universidade.

Agora, quase dois anos depois de ter sido apresentada a primeira denúncia, a justiça decidiu levar Begoña a julgamento e indiciá-la pela prática de quatro crimes, nomeadamente, tráfico de influência, corrupção, peculato e apropriação indevida de marcas.

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