A princesa herdeira está gravemente doente a aguardar um transplante de pulmão, o filho dela está preso por 40 crimes e a saúde dos reis cada vez fragilizada
(Artigo originalmente publicado dia 8 de junho de 2026)
Família real norueguesa vive uma das piores fases da sua história AP
Não há nada que não aconteça na corte do Rei Harald V
da Noruega, que atravessa um dos piores momentos da sua história. A tempestade combina
um processo judicial de enorme gravidade e uma pressão mediática sem
precedentes depois das revelações do caso Epstein que afetam diretamente a
mulher do príncipe herdeiro Haakon, Mette-Marit, que está a aguardar um
transplante pulmonar. A saúde dos reis Harald e Sonia está cada vez mais comprometida
e o resultado é uma imagem de fragilidade institucional, que a imprensa
norueguesa diz ser irreversível. Desde que assumiu o trono, em 1991, depois da
morte do seu pai, o Rei Olavo V, que Harald V transmitiu uma imagem sóbria, discreta
e com sentido de dever, mas o índice de popularidade da monarquia instituída na
Noruega há mais de mil anos caiu de 81% para 55%. Todas as esperanças estão voltadas
para a princesa Ingrid, de 22 anos, que estuda Relações Internacionais, em
Sydney, na Austrália.
À espera de um transplante
Na última vez que apareceu em público, nas celebrações
do Dia da Constituição da Noruega, na residência de Skaugum, a 17 de maio, a
princesa Mette-Marit,
de 52 anos, tinha uma cânula nasal de oxigénio. Estava sentada num banco, ao
lado do marido, o príncipe herdeiro Haakon, e do filho Sverre Magno, de 20 anos,
que assume assim protagonismo como um elemento ativo da família real. Diagnosticada
com fibrose pulmonar em 2018, o estado de saúde de Mette-Marit tem piorado
substancialmente e esta semana, durante um evento oficial, Haakon disse que a
mulher está “gravemente doente”, a aguardar o transplante de pulmão. A doença
da princesa fez com que o futuro Rei da Noruega ajustasse a sua agenda e reduzisse
o número de dias na viagem oficial ao Japão, uma das mais importantes do ano.
Intimidade com Epstein
Como se não chegasse, Mette-Marit viu o seu
nome envolvido no caso Epstein. Nos documentos revelados, a futura rainha dos
noruegueses e o magnata norte-americano, condenado por abusos sexuais a
menores, mostram intimidade quando ela o trata por “querido” e alguém de “bom
coração” e percebe-se pela troca de e-mails que passou
férias na casa de Epstein, na Florida. Em março, numa entrevista à estação de
televisão pública norueguesa, afirmou, em lágrimas, ter sido “ingénua, manipulada
e enganada”. Perante isto, a questão que muitos colocam é se Mette-Marit terá
condições para reinar. Quando se casou com o príncipe herdeiro Haakon, em 2001,
a plebeia não foi aceite pelos mais conservadores por ter um filho de um
marginal, entretanto preso por tráfico de droga. Levou para o palácio o pequeno
Marius, então com 4 anos (hoje tem 29) que nunca recebeu nenhum título nem
funções reais. Com o enteado preso preventivamente por 38 acusações, entre as
quais agressões e violações de quatro ex-namoradas, o filho do Rei Harald V fez
uma declaração pública: “Marius não é integrante da Casa Real da Noruega e,
portanto, é autónomo”.
Marius acusado de 40 crimes
O Tribunal de Oslo ditará a sentença do processo no
próximo dia 15, depois de seis semanas em tribunal, a ouvir cerca de 70
testemunhas. O ministério público pede uma pena de sete anos e sete meses de
prisão pelos crimes de violação, abuso de relação íntima, múltiplos episódios
de violência e violação de ordens de afastamento de ex-namoradas. Marius Borg
Høiby – meio-irmão da princesa Ingrid Alexandra, futura Rainha da Noruega – também
é acusado de filmar os genitais de várias mulheres sem o seu consentimento,
além de ameaças de morte, violação grave da lei das drogas, assédio à polícia e
diversas infrações de trânsito. O juiz negou o pedido da defesa do filho da
princesa Mette-Marit para aguardar julgamento em casa, com pulseira eletrónica,
pelo elevado risco de reincidência.
Reis com saúde fragilizada
A agravar este período complexo que a família real
atravessa, a Rainha Sonia, de 88 anos, voltou a cancelar a sua agenda
institucional por os médicos lhe terem imposto repouso, depois de ter sido
internada de urgência, devido a um problema cardíaco. Há seis meses, o Rei
Harald, que aos 89 anos é o monarca mais velho da Europa, foi submetido uma cirurgia
de coração aberto, para substituição de uma válvula cardíaca, e em fevereiro,
quando passava férias na ilha espanhola de Tenerife, nas Canárias, foi
hospitalizado com uma infeção e desidratação. Os problemas de saúde estendem-se
também à princesa Astrid, irmã mais velha do Rei, que, há cerca de duas semanas, foi
operada de urgência devido a uma insuficiência cardíaca, aos 94 anos.
A princesa esotérica
Os reis Harald e Sonia casaram-se a 20 de agosto de
1968, depois uma década de luta pela aprovação do casamento com uma plebeia, e
tiveram dois filhos: Marta Luisa, de 54 anos e Haakon, de 52. A filha mais
velha dos reis da Noruega só não é herdeira do trono porque a Lei Sálica (que
dá primazia ao filho varão na sucessão ao trono) só foi abolida no país nórdico
em 1990. A princesa Marta – que renunciou às suas obrigações reais – nunca foi
bem vista no país por garantir ter poderes curativos e capacidades mediúnicas
que lhe permitem comunicar com os anjos. Casou-se com um escritor boémio, com
quem teve três filhas, e de quem se separou em 2016. Em 2024, casou-se com Durek Verret, um xamã norte-americano,
com crenças polémicas.
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