Enfermeiros acusam direção do SNS de travar projeto de acompanhamento de grávidas
Modelo visa grávidas de baixo risco e sem médico de família.
Modelo visa grávidas de baixo risco e sem médico de família.
Deputado do PSD Miguel Guimarães reponsabilizou as grávidas pelo número de partos realizados em ambulâncias, alegando que estas alertam "tarde demais". INEM e Bombeiros contestam explicação.
Declarações do antigo bastonário da Ordem dos Médicos acabaram por soar mal. No Parlamento, Miguel Guimarães falou ainda do vídeo onde o primeiro-ministro, Luís Montenegro, surge num carro sem cinto de segurança.
Segundo a norma, "todas as mulheres grávidas devem ter acesso a uma primeira consulta da gravidez até às nove semanas e seis dias de gestação".
Há adolescentes com gestações de risco por serem muito novas, algumas com apenas 13 anos.
Apelou ao alargamento da medida a todas as unidades locais de saúde.
A partir do próximo ano, os cuidados de saúde primários da Península de Setúbal, e da área Amadora-Sintra vão receber um projeto-piloto.
A Ordem refere que a sua proposta assenta no respeito rigoroso pelas competências de cada profissão e coloca o médico de família no centro das equipas multidisciplinares.
A proposta de acompanhamento de grávidas de baixo risco é toda ela uma linha vermelha para a Ordem dos Enfermeiros. "Não há divergência" com Ordem dos Médicos, que, no entanto, traça a sua linha mais adiante.
Ana Rita Cavaco, ex-bastonária da Ordem dos Enfermeiros, reagiu com ironia à notícia de que a Ordem dos Médicos deu luz verde para que grávidas de baixo risco possam ser seguidas por enfermeiros especialistas nos centros de saúde, onde não têm médico de família. "Há anos que no SNS os enfermeiros fazem 80 a 90% dos partos normais", explica.
Nos centros de saúde onde não tenham médico de família.
Num parecer, o Colégio de Medicina Geral e Familiar (MGF) manifesta preocupação com a proposta que prevê a vigilância de grávidas sem médico de família por Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO).
A posição surge depois de o Presidente norte-americano ter sugerido que o aumento do autismo no país pode ter como causa o uso do analgésico paracetamol em grávidas e a vacinação, sem apresentar provas científicas.
Presidente dos EUA aconselha grávidas a não tomarem paracetamol e anuncia medicamento para tratar certas condições associadas ao autismo.
A prioridade será proteger as mulheres grávidas ou lactantes, adiantou Jeremy Lewin, alto responsável do Departamento de Estado.
"Não podemos continuar a assistir a grávidas que andam de terra em terra para dar à luz", garante o líder do PS. Sobre o caso da grávida que teve o filho na rua, no Carregado, diz que esse é um cenário de terceiro mundo, não de um país europeu.