Deputado do PSD Miguel Guimarães reponsabilizou as grávidas pelo número de partos realizados em ambulâncias, alegando que estas alertam "tarde demais". INEM e Bombeiros contestam explicação.
O deputado do PSD e antigo bastonário da Ordem dos Médicos Miguel Guimarães responsabilizou na quarta-feira as grávidas pelo número de partos que estão a ser realizados em ambulância, afirmando que estas dão um alerta tardio para os serviços de saúde. Segundo o presidente da Liga dos Bombeiros, António Nunes, têm ocorrido demasiados partos em ambulâncias, mas não fica convencido com a explicação avançada pelo social-democrata. À SÁBADO, Rui Lázaro, presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), defende igualmente que a origem deste problema é outra.
Grávida num hospitaliStockphoto
"O aumento do número de partos em ambulâncias está relacionado com o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia. As grávidas são, por isso, obrigadas a percorrer mais quilómetros para chegarem às urgências", explica Rui Lázaro. Esse cenário aumenta a possibilidade de o parto acontecer durante o transporte.
António Nunes também não confirmou a tese do deputado. Pelo contrário: "A verdade é que as pessoas antigamente quando tinham dores iam logo para o hospital, mas agora muitas das vezes está fechado ou não têm transporte".
Segundo Rui Lázaro, o fenómeno é até particularmente frequente no norte do País, onde a distância a um hospital pode ultrapassar uma hora. "Acontece com frequência porque [nesses locais] a distância [a um hospital] pode ser superior a uma hora", explica. Em alguns locais, o tempo que a ambulância demora a percorrer o local até chegar à gestante é até "aceitável", mas nas zonas mais rurais pode levar mais de uma hora". "Quando a ambulância chega, pode já ser tarde."
Apesar de António Nunes sublinhar que não há provas que sustentem a ideia de haver um alerta "tardio" por parte das gestantes, admite que existem fatores que podem atrasar o pedido de ajuda. "Algumas grávidas não falam bem português", refere no caso das mulheres imigrantes. No cenário português, aponta para dificuldades na comunicação que, por vezes, atrasam o processo em "uma hora ou duas". "Podem não saber o número de telefone ou estar sozinhas. Às vezes também ligam primeiro para os familiares e só quando eles chegam é que ligam."
Para Rui Lázaro, o problema não se resolve responsabilizando as grávidas, mas reforçando meios e práticas de formação. "Infelizmente, o que o presidente do INEM está a fazer é reduzir o tempo de formação", critica. E defende ainda um aumento no número de ambulâncias, medida que, diz, chegou a estar previsto pela ministra da Saúde mas acabou "revertida".
Com urgências encerradas, distâncias maiores e meios insuficientes, os partos em ambulâncias tornam-se assim invitáveis e, segundo o dirigente sindical do INEM, representam "riscos acrescidos para a mãe e o bebé".
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