Nos barcos de caça à baleia, no garimpo ou nas plantações de cana-de-açúcar, chegaram ao outro lado do Atlântico ávidos de aventura e de fortuna. O primeiro navegador a desembarcar na Califórnia foi português e o McDonald’s serve hoje linguiça dos Açores no Havai.
Peter Francisco, nascido nos Açores, raptado em criança e deixado na Virgínia, lutou sob o comando de George Washington e foi um dos heróis mais emblemáticos da Revolução Americana, com os seus dois metros de altura e força desmesurada. John dos Passos, de origem madeirense, foi um dos escritores norte-americanos mais importantes da primeira metade do século XX, autor da aclamada trilogia USA. E o que dizer de John Philip Sousa, filho de pai açoriano, autor da marcha oficial americana e um dos mais ilustres compositores de finais do século XIX? Não faltam apelidos portugueses nos livros de História dos EUA. Mas como é que eles e os seus antepassados foram parar ao outro lado do Atlântico? Depois de os primeiros navegadores lusitanos – a maioria ao serviço da coroa espanhola – terem desembarcado no Novo Mundo, os pioneiros da emigração portuguesa para oeste foram tripulantes de navios baleeiros, isto é, de caça à baleia, principalmente açorianos e cabo-verdianos. Mais tarde, já em finais do século XIX, dezenas de milhares de madeirenses e açorianos rumaram ao Havai para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar. Outros foram contagiados pela febre do ouro, rumando à Califórnia em busca do metal precioso, e abrindo caminho para grandes negócios de atum em lata ou explorações leiteiras. Na Costa Leste, em lugares como New Bedford ou Fall River, os portugueses criaram bastiões duradouros, com enormes contingentes a engrossarem as fileiras de fábricas têxteis. Não admira que em muitas destas cidades as padarias vendam malassadas e as ruas se decorem para as festas do Espírito Santo.
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