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PSD de Coimbra. Jobs locais e uma cunhada

A Concelhia de Coimbra do PSD vai ter novo(a) líder, dentro de pouco tempo. O presidente cessante, que dará lugar a Lídia Pereira (eurodeputada) ou a Martim Syder (deputado à AR), deixa um rasto onde avultam as malhas tecidas pela partidarite.

O líder cessante da Comissão Concelhia de Coimbra do PSD, João Francisco Campos, figura numa teia de relações a remeter para suspeitas de compadrio.

Bandeira do PSD
Bandeira do PSD MARIO CRUZ/LUSA

Campos acabou de abrir mão da presidência da Junta da UFC - União de Freguesias de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e S. Bartolomeu) na expectativa de se tornar vereador em dedicação exclusiva da Câmara Municipal conimbricense. Ingressou no executivo camarário, há dois meses, mas sem pelouros, face à eleição da ex-ministra Ana Abrunhosa para a liderança do Município, e o PSD só possui dois dos 11 assentos da vereação, cinco deles conquistados pela coligação "Juntos Somos Coimbra", que fracassou no propósito de fazer reeleger José Manuel Silva (ex-bastonário da Ordem dos Médicos).

Interpelado pela SÁBADO, o autarca e dirigente partidário considerou que "a única questão séria" posta pelo jornalista é atinente a uma cunhada dele que trabalhou na UFC, "ao abrigo de um contrato de emprego-inserção", mediante aprovação em sede de executivo sem a presença do presidente.

Campos não se pronuncia, portanto, sobre a interpelação no tocante a exercício de cargos partidários e ao desempenho de funções profissionais, tendo-lhe sido comunicado que a peça jornalística remete para "excessiva coincidência entre o preenchimento de tais cargos e colocações e contratações".

Vogal da Junta da UFC, quer sob a atual liderança (Carlos Pinto), quer no anterior mandato (João Francisco), a jurista Mafalda Fagulha trabalha na empresa municipal Águas de Coimbra e é membro da Comissão Concelhia conimbricense cessante do PSD.

Uma dirigente local da JSD, namorada de um autarca que é vogal da Comissão Política Distrital (CPD) social-democrata de Coimbra, encontra-se a estagiar na sociedade municipal.

O advogado Ricardo Dias, vice-presidente da Concelhia de Coimbra do PSD, assegurou assessoria jurídica à Junta da maior freguesia urbana do concelho, de Setembro de 2024 a Agosto de 2025. Sob a mesma condição, o jurista prestou serviços aos executivos de duas uniões de freguesias (a UFC e a de Eiras e S. Paulo de Frades).

Recente funcionária da UFC, Carolina Inock Rodrigues é a mulher do (ainda) administrador da Águas de Coimbra (AC) Filipe Carrito, que foi diretor de campanha de José Manuel Silva e é o tesoureiro da CPD conimbricense do PSD.

Segundo fontes partidárias, num cenário de sucesso da recandidatura do médico à liderança do Município de Coimbra, o gestor ficaria bem posicionado para almejar suceder a Paulo Leitão na liderança distrital do PSD/Coimbra. Paulo Leitão é genro do presidente da AC, Alfeu Sá Marques.

A sociedade municipal desembolsou 32 mil euros, em 2024 e em 2025, ao abrigo de um protocolo com a UFC, para apoio ao evento "Mondego vibe".

Outorgados pela Administração da empresa municipal e pelo anterior presidente da UFC, João Francisco Campos, os protocolos visaram a realização de acções de sensibilização ambiental e de "incentivo ao consumo de água da rede pública".

Um vogal da Comissão Concelhia de Coimbra do PSD, José Marques, proprietário da sociedade unipessoal Like a lot (consultoria de comunicação), prestou serviços à Águas de Coimbra (6 330 euros), em 2023, e à Junta da UFC (6 960 euros), em Fevereiro de 2024.

Segundo fontes da sociedade municipal, há na empresa várias faturas emitidas pela Like a lot entre 2023 e 2025.

Outra cliente de José Marques é a Junta da União de Freguesias de Eiras e S. Paulo de Frades, que foi instada, pela SÁBADO, a esclarecer os contornos de contratação atinente a 2021 e a 2023.

José Marques foi instado a explicar se há contratações assentes em compromissos de complementaridade entre a Like a lot e outra empresa, cujo(a) proprietário(a) será parceiro(a) dele.

Essa outra empresa recebeu da UFC 17.500 euros, em 2023 e 2024, para criação de conteúdos e impressão, e em 2025, da Águas de Coimbra, 3.876 euros.