Primo deixou de ser herdeiro de Sócrates por causa do caso Freeport

Cátia Andrea Costa 16 de outubro de 2017

Ministério Público terá estabelecido uma ligação entre as notícias divulgadas em 2008 e os movimentos dos dois alegados testa-de-ferro de Sócrates: Pinto de Sousa e Carlos Santos Silva

O Ministério Público acredita que o primeiro de José Sócrates, José Paulo Pinto de Sousa, era o herdeiro de 80% da fortuna do antigo primeiro-ministro até ao surgimento de notícias, em 2008, do alegado envolvimento do então governante no caso Freeport, de Alcochete - e que levaram a uma alteração da maneira como era ocultada a propriedade de mais de 23 milhões de euros. Em caso de morte de Sócrates, Pinto de Sousa era herdeiro de 80% do dinheiro e os outros 20% deviam ser divididos entre a companheira e a filha de Carlos Santos Silva, o "braço-direito" do antigo governante. 

Segundo o Jornal de Notícias, o Ministério Público chegou a esta conclusão estabelecendo uma ligação entre as notícias divulgadas na altura e os movimentos dos dois alegados testa-de-ferro de Sócrates. Pinto de Sousa era titular de contas conjuntas com Carlos Santos Silva na Suíça e apontado, em vários documentos, como herdeiro de 80% da fortuna acumulada nos supostos negócios ilegais com o Grupo Lena, BES e Grupo Vale do Lobo. 

A acusação do caso Operação Marquês acredita que o acesso e uso das contas no Banco UBS, da Suíça, foram feitos de três maneiras diferentes e em três períodos distintos. De Março de 2006 a Julho de 2007, o dinheiro passaria por uma offshrore denominada Gunter Finance e controlada por Pinto de Sousa, via Hélder Bataglia. Segundo o JN, foi aqui que foram depositados sete milhões de euros alegadamente provenientes de Ricardo Salgado e que pagariam o apoio na estratégia para derrotar a OPA da Sonae sobre a PT. Uma acusação que Sócrates já disse ser uma "mentira de perna curta". 

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