O secretário-geral do PCP defendeu que "muitas coisas estão por resolver" e estimou a existência de "milhares de estudantes" ainda com as notas suspensas.
O secretário-geral do PCP responsabilizou este sábado o primeiro-ministro pelos problemas verificados nos exames nacionais, que considerou ainda não resolvidos, e afirmou que o ministro da Educação revelou falta de coragem e de verticalidade perante "a bronca".
Secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo ANTÓNIO COTRIM/LUSA
Paulo Raimundo falava no encerramento de uma festa convívio de verão promovida pelo PCP, em Beja, num discurso com cerca de 25 minutos centrado nas críticas à ação do Governo PSD/CDS, à qual associou sobretudo o Chega e a Iniciativa Liberal.
Na questão dos exames nacionais, o secretário-geral do PCP defendeu que "muitas coisas estão por resolver" e estimou a existência de "milhares de estudantes" ainda com as notas suspensas.
Perante esta situação, Paulo Raimundo disse que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, na sexta-feira, na Assembleia da República, num debate promovido pelo PCP, "conseguiu estar 40 minutos sem dizer nada e, quando abriu a boca, nada disse".
"Não disse porque ele não tem como justificar o injustificável e a única coisa que ele podia ter dito era dizer peço desculpa. Mas até nisso lhe faltou a coragem. Até nisso lhe faltou aquilo que é a verticalidade da sua responsabilidade", advogou.
Na perspetiva do secretário-geral do PCP, na origem do problema verificado nos exames nacionais, está a política do Governo de "desmantelamento do Estado". Referiu que no Ministério da Educação foram dispensados mais de 500 profissionais, o que "desorganizou toda a estrutura - e os resultados estão à vista".
"A expressão mais visível que temos neste momento é exatamente toda esta bronca, toda esta atrapalhada, com consequências na vida de milhares de estudantes e de milhares de famílias", declarou, antes de atacar o primeiro-ministro, Luís Montenegro.
"Independentemente das opiniões que possamos ter sobre a arrogância, sobre um umbigo demasiado grande, sobre a ideia de que só ele [Fernando Alexandre] é que marcha bem, a verdade é que a responsabilidade não é só dele. A responsabilidade é do Governo todo e do primeiro-ministro, que teve a coragem de dizer - e ainda bem que disse - que estava ao lado do ministro da Educação", assinalou o líder comunista.
Ainda segundo Paulo Raimundo, Luís Montenegro esteve ao lado do ministro da Educação quando este "voltou a acusar os professores, os diretores de escola pela responsabilidade que é dele".
"Se o primeiro-ministro esteve ao lado do ministro da Educação, então, se fosse um homem de coragem, um homem de palavra, um político com responsabilidades, então assumia todas as responsabilidades que advêm da situação criada", sustentou.
O secretário-geral do PCP deixou ainda um aviso sobre o que poderá acontecer em breve por causa dos exames nacionais: "Vamos ver se há coragem ou vamos ver quem é o primeiro a cair em toda esta história".
PCP culpa Montenegro e critica falta de coragem do ministro da Educação "na bronca" dos exames
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