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Ministério diz que circulação online de exame de Matemática não terá impacto na prova

"A situação verificada é lamentável, mas não tem qualquer impacto na realização e na validade da prova deste ano, nem nos resultados dos alunos nestas provas", sublinhou o MECI.

O Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) considerou hoje que a divulgação pública antecipada do exame de matemática do 9.º ano "é lamentável", mas não terá qualquer impacto na validade da prova, nem nos resultados dos alunos.

Fernando Alexandre
Fernando Alexandre ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Esta posição do ministério surge após questões colocadas pela agência Lusa, na sequência da denúncia pela Missão Escola Pública de que o exame de Matemática do 9.º ano, realizado em formato digital e sujeito a sigilo, circulava na Internet na segunda-feira, dia da realização da prova, defendendo uma investigação para apurar responsabilidades.

"A situação verificada é lamentável, mas não tem qualquer impacto na realização e na validade da prova deste ano, nem nos resultados dos alunos nestas provas", sublinhou o MECI.

"O caráter não público das provas tem como objetivo o reforço da comparabilidade dos resultados dos alunos ao longo dos anos, contribuindo, desta forma, para melhor monitorização da aprendizagem, com um real diagnóstico da evolução das aprendizagens dos alunos no Ensino Básico e a possibilidade de decidir políticas de educação baseadas em dados comparáveis", argumentou.

O MECI afirmou ainda, na resposta à Lusa, que, "tendo em conta que no ano passado se verificou a mesma situação, a elaboração da prova deste ano foi independente da prova realizada no passado ano letivo".

O ministério garantiu que "está a averiguar as situações de quebra do caráter não público da prova e tomará posteriormente as medidas adequadas".

Em declarações hoje à agência Lusa, Cristina Mota, da Missão Escola Pública (MEP), relatou que o movimento começou a verificar, na segunda-feira à noite, através das partilhas nos grupos de professores e através das redes sociais, que já estava a circular a prova, indicando que seria a que foi realizada pelos alunos.

"Entretanto, nos grupos, alguns dos professores que estiveram a vigiar confirmaram que, efetivamente, estavam a reconhecer as questões", sublinhou.

Cristina Mota referiu ainda que, após a divulgação de um enunciado alegadamente recriado, mas que contém, por exemplo, gráficos e imagens que não parecem uma recriação, surgiu então o vídeo que, afirmou, "também mostra, ao que parece, a prova e com indicação que se trata efetivamente da prova que tinha tido lugar".

Para a MEP, "a situação demonstra que o sistema é violável e que a digitalização coloca em causa o rigor e a credibilidade da avaliação externa".

"Depois do enorme esforço exigido aos professores para implementar este modelo, é inaceitável que os enunciados circulem publicamente poucas horas após a realização da prova", criticou.

Questionada sobre a origem da divulgação, Cristina Mota disse desconhecer como ocorreu o acesso aos conteúdos, mas apontou várias hipóteses, incluindo a possibilidade de captura de imagens pelos próprios alunos ou de acesso remoto à plataforma utilizada nos exames.