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Presidente da República visitou vários negócios que ficaram 'debaixo de água', dando palavras de incentivo a proprietários, militares e voluntários que participam nas limpezas.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sugeriu hoje o início da discussão sobre a constituição em Portugal de um fundo para ajudar a cobrir os prejuízos causados pelas calamidades, como as cheias das últimas semanas.
“Municípios não têm dinheiro para enfrentar consequências” do mau tempo, diz Marcelo Rebelo de Sousa Lusa
"Sendo um problema coletivo, vale a pena pensar para o futuro. Se há calamidades cada vez mais graves e frequentes, então, talvez seja boa ideia haver um fundo que preveja essas calamidades", afirmou o chefe de Estado, em Alcácer do Sal.
Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas durante uma visita à marginal desta cidade alentejana do distrito de Setúbal que esteve inundada vários dias devido às cheias no Rio Sado.
Acompanhado pela presidente da câmara, Clarisse Campos, o Presidente da República visitou vários negócios que ficaram 'debaixo de água', dando palavras de incentivo a proprietários, militares e voluntários que participam nas limpezas.
Sobre a criação de um fundo de calamidade, o chefe de Estado salientou que a União Europeia e vários países europeus, como França e Espanha, já têm com "muitos milhares de milhões" de euros para dar resposta "quando há uma calamidade".
Um fundo de calamidade "é constituído ao longo do tempo e existe para fazer face a situações de maior envergadura, em que tem de haver um financiamento extraordinário e muito elevado que normalmente os Orçamentos do Estado não podem cobrir", salientou.
Marcelo realçou que Portugal tem "uma ocasião que é, apesar de tudo, única, que é haver dinheiro do PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]", admitindo que "uma parte desse dinheiro do PRR pode ser reorientado".
Porém, disse, "a reprogramação do PRR dá para certas obras e para certos apoios", além de que este plano "não vai haver sempre e está a acontecer uma vez", assim como o programa Portugal 2030, que também "não acontece sempre, acontece nestes tempos uma vez".
A criação de um fundo de calamidade, "porventura, nunca se pensou", pois "nunca se achou que se ia chegar a um ponto tal que as calamidades passariam a ser incumbência do Estado e muito avultadas", admitiu o chefe de Estado.
Em relação aos empresários com danos do mau tempo que têm seguro, Marcelo considerou que a situação "está a ser acelerada", mas mostrou-se preocupado com os que não têm, reconhecendo que muitos deles "não têm condições para ir à banca".
"Um problema imediato é como é que se vai dar a esses estabelecimentos condições de desafogo financeiro para voltarem a trabalhar, porque se estiverem fechados um mês, dois meses, três meses, quatro meses, é muito difícil a recuperação", alertou.
Questionado sobre se concorda com a atribuição de apoios a fundo perdido, o Presidente da República respondeu que é preciso "saber até onde pode ir um apoio desses", aludindo ao valor global dos prejuízos.
"Estamos perante quantas situações? E em quantos municípios? Quanto custo? Percebemos que há um grande apelo para que haja abertura a uma situação dessas", acrescentou.
Sobre se Portugal deveria ter pedido ajuda através do Fundo de Solidariedade da União Europeia, o chefe de Estado referiu que Bruxelas tem um fundo "com regras muito específicas e abarca todos os países".
"Temos que pensar bem se não vale a pena, agora que é um tempo em que há um certo desafogo com o PRR, começarmos a pensar num fundo de calamidade", insistiu.
Mau tempo: Presidente da República sugere criação de fundo de calamidade
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