Igreja obrigada a mudar missas para as manhãs do fim de semana

Igreja obrigada a mudar missas para as manhãs do fim de semana
Bruno Faria Lopes 10 de novembro de 2020

Mais missas durante a manhã nos próximos dois fins de semana é uma das recomendações em estudo pelos bispos, sendo certo que cada diocese tem autonomia para decidir. Igreja manifesta "surpresa" perante falta de articulação por parte do Governo.

Passar missas de sábado e de domingo à tarde para o período da manhã é uma das orientações gerais que poderá sair da reunião de bispos desta quarta-feira, na qual se debaterá a reação prática da Igreja Católica ao recolher obrigatório imposto pelo Governo após as 13h aos fins-de-semana. O tom da administração da Igreja é de cumprimento das regras, mas também de surpresa pelo que considera ser a ausência de articulação da parte do Governo.

"A Igreja lida com muitas pessoas ao fim de semana e ficou surpreendida com a decisão, que não foi dialogada com os bispos", afirma o padre Tiago Freitas, chefe de gabinete do arcebispo de Braga. A Conferência Episcopal, o órgão que reúne os bispos, manifestou ontem essa surpresa, apontado que a restrição "coloca muitas dificuldades às atividades eclesiais". Os bispos – que desde domingo estão a trabalhar em conjunto para chegar a uma posição comum perante os fieis e as autoridades – juntaram, contudo, que essa restrição é "compreensível na situação limite" a que Portugal está a chegar "em termos do sistema de saúde".

A descentralização do poder de decisão na Igreja significa que as orientações que saírem da reunião de amanhã não são vinculativas e que cada diocese tem autonomia para adaptá-las. No caso da diocese de Bragança e Miranda do Douro, por exemplo, as orientações dos bispos serão seguidas à risca, explica o porta-voz Bruno Rodrigues. O alargamento dos horários – com duas missas de manhã – é uma forte possibilidade.

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