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Greve encerra maioria das escolas do pré-escolar e 1.º ciclo

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"Temos uma adesão de 80% à greve", disse o Sindicato de Professores, de Técnicos Superiores, de Assistentes Técnicos e Operacionais.

A greve de professores do pré-escolar e do 1.º ciclo encerrou a maioria das escolas do país, segundo um levantamento de um dos sindicatos que convocou a paralisação e agendou uma concentração junto no Palácio de Belém.

Greve em escola
Greve em escola Ricardo Ponte/

"Pelo menos 1.035 escolas não tinham hoje educadores. Temos uma adesão de 80% à greve, o que não nos surpreende porque tem sido um século em que o poder político tem adiado os problemas destes docentes", disse à Lusa Francisco Clemente Pinto, secretário-geral do Sindicato de Professores, de Técnicos Superiores, de Assistentes Técnicos e Operacionais (Sinape).

O Sinape foi um dos sindicatos que convocou a greve em defesa dos direitos dos professores de monodocência que exigem direitos iguais aos colegas de outros níveis de ensino e pedem a redução de horário para 22 tempos letivos semanais, a redução letiva por idade e por desempenho de cargos, mas também a possibilidade de se poderem reformar mais cedo.

"Estes professores só exigem equidade", sublinhou Francisco Clemente Pinto, lembrando que ao longo dos últimos anos "os vários governos foram assumindo abertura de negociações, mas nunca chegaram a ser agendadas".

Por isso, os professores realizaram esta segunda-feira uma greve nacional e muitas dezenas concentraram-se em frente ao Palácio de Belém, na expectativa de serem recebidos pelo Presidente da República.

Uma comitiva do Sinape foi recebida por um assessor do Presidente da República, a quem foi entregue um "caderno reivindicativo sobre Equidade, tendo ficado agendada uma reunião com a assessoria da área da educação da Presidência para julho", adiantou Francisco Clemente Pinto.

Os docentes estão em frente ao Palácio de Belém desde as 11h00 numa "concentração construtiva para fazer uso da palavra "Equidade" nos horários de trabalho e no calendário escolar, porque estes colegas foram esquecidos ao longo de 30 anos".

Além do Sinape, também a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), o Sindicato de Todos os Profissionais de Educação (S.T.O.P.) e o Sindicato Nacional dos Professores Licenciados pelos Politécnicos e Universidades (Spliu) convocaram para esta segunda-feira a greve nacional.

A grande maioria dos professores diz estar exausta, em parte devido à sobrecarga de trabalho, segundo um inquérito do Movimento de Professores em Monodocência (MPM) e da plataforma Metaprof, que reuniu 7.072 respostas de docentes das escolas públicas e agrupamentos de escolas nacionais com ensino do pré-escolar e 1.º ciclo do ensino básico.

O inquérito realizado entre fevereiro e março deste ano fez um retrato preocupante: 86% dos participantes consideravam a monodocência uma profissão de desgaste rápido e 72% queixavam-se da falta de recursos humanos nas escolas.

A metaPROF criou também a plataforma "Greve ao Minuto" que permite que professores e funcionários possam colocar informações sobre o impacto da paralisação nas suas escolas.

Às 12h30 desta segunda-feira, havia pelo menos 365 escolas encerradas ou condicionadas pela paralisação, segundo dados fornecidos por quase 600 pessoas.