Ambiente. Não é possível “garantir que as escolas ficam livres de amianto”

O amianto não está apenas nas coberturas de fibrocimento que estão a ser retiradas das escolas, alerta a Quercus. A deposição de amianto em locais não autorizados é também uma realidade que pode vir a agravar-se nos próximos tempos, já que os únicos aterros autorizados a receber este tipo de resíduos ficam na Chamusca.

Depois do encerramento das escolas, em ano de pandemia, o programa nacional para a remoção de amianto em edifícios escolares começou, finalmente, a avançar. No entanto, defendem as associações ambientalistas, os estabelecimentos de ensino podem estar longe de eliminar completamente esta fibra natural. Mesmo aquelas onde os trabalhos de remoção já foram feitos ou estão em curso. À SÁBADO, Carmen Lima, coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus e do SOS Amianto, explicou que aquilo que está a ser feito neste momento é "a remoção das coberturas em fibrocimento". 

As coberturas em fibrocimento incorporam amianto, mas existem dezenas de outros materiais que podem conter também esta fibra que, além de boas propriedades isolantes e do baixo custo, suporta altas temperaturas sem arder e, por isso, muito utilizada pelo setor da construção antes dos anos 90. Exemplo de outros materiais são os tetos falsos. 

No caso específico das escolas, explicou Carmen Lima, não foi feita uma análise aos edifícios para perceber quais os materiais que têm de ser retirados, sendo a remoção focada nas estruturas de fibrocimento. Resultado: "Daqui a uns anos vamos identificar os restantes materiais e voltar a abrir concursos, a fazer obras e vai ficar muito mais caro remover o amianto de todas as escolas". No mês de junho de 2020 foi divulgada uma lista com 578 escolas em todo o país que ainda tinham materiais com amianto, as candidaturas ao programa terminaram em dezembro, e foram recebidas 486 candidaturas.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Investigação
Opinião Ver mais