Alunos curiosos, até distraídos e sem Power Points: as ideias dos melhores professores

Alunos curiosos e sem Power Points: as ideias dos melhores professores
Sara Capelo 21 de dezembro de 2019

Os alunos de Rui Correia colocam copos coloridos (verde se compreenderam a matéria, vermelho se não perceberam). Os de Hélder Pereira procuram fósseis nas ruas de Loulé. Os de José Jorge Teixeira continuam a perguntar porquê.

Três primeiras pessoas sobre o ensino no dia em que foi entregue o segundo prémio de Professor do Ano pela Casa das Ciências a Carlos Portela, professor de Físico-Química na Figueira da Foz. A distinção é atribuída pelo Conselho Editorial da Casa das Ciências (um projeto associado ao Edulog, da Fundação Belmiro de Azevedo), que inclui professores das Universidades do Porto, Lisboa e Coimbra. Estes procuram professores ativos e motivantes: "Que tenham uma relação muito apreciada pelos alunos e que mantenham uma relação com a própria Casa das Ciências e outras entidades", resumiu à SÁBADO o coordenador José Ferreira Gomes.  

Esta distinção foi a desculpa perfeita para recolhermos, na primeira pessoa, o que motiva e a forma de trabalhar de três outros professores distinguidos ora com este galardão (Hélder Pereira, em 2018), ora com o Global Teacher Prize Portugal (Rui Correia, em 2019; José Jorge Teixeira, em 2018).  

Rui Correia: "Se o professor é o único a pensar na sala de aula, está toda a gente a perder tempo"
Acho que a nossa profissão é a mais sublime de todas. É o ato de aprender: eu sei coisas e não vou querer ficar com elas para mim, vou passar para outra pessoa que, se tudo correr bem, me vai ultrapassar.

Estive nove anos na direção desta escola – que é de um contexto social difícil, e vista pelas famílias como uma obrigação, falta a valorização da aprendizagem, da cultura, da educação e isso prejudica os alunos. Apercebi-me muito cedo de que nós temos de encarar o ato de aprendizagem sobretudo como um diagnóstico daquilo que os miúdos aprendem. Volto toda a minha energia como professor não para dar boas aulas, mas para saber se os miúdos estão a aprender. E, durante muito tempo, obrigou-me a ir à procura de muitas estratégias que existem por todo o mundo – uma vez que os meus dilemas são os mesmos de muitos outros professores. Professores não são pagos para ensinar, são pagos para fazer aprender. E têm que conhecer em tempo real se a forma como estão a dizer e os conteúdos que estão a tentar transmitir são apreendidos pelos alunos. Se o professor é o único a pensar dentro da sala de aula, está toda a gente a perder tempo.

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