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Ventura diz a vice-presidente da AR que não devia estar ali. "Não é o senhor que decide isso"

Diogo Barreto 04 de março de 2026 às 18:44

Momento levou à interrupção do debate quinzenal durante quase dez minutos. Resposta de Teresa Morais foi ovacionada.

O debate quinzenal desta quarta-feira ficou marcado por um incidente protagonizado por André Ventura, líder do Chega, e pela presidente do parlamento em exercício, Teresa Morais (eleita pelo PSD). Ventura acusou Morais de tratar de forma desigual a bancada do Chega, comparativamente ao que faz com as outras bancadas. Terea Morais rejeitou a crítica, tendo sido apoiada por todos os restantes partidos da Assembleia da República.

Assembleia da República discute o OE2026 Lusa

Durante o período de perguntas ao primeiro-ministro, André Ventura pediu para fazer uma interpelação à mesa com a vice-presidente do parlamento, Teresa Morais, que conduzia os trabalhos, a assinalar que o líder do Chega ainda não tinha gastado todo o tempo da sua intervenção, convidando-o a explicar o pedido. "Era isso que eu estava a tentar fazer quando a senhora presidente - que em vez de ser deputada do PSD, devia ser presidente da Mesa, só que não consegue...", criticou o líder do Chega, ouvindo-se de seguida pateadas na sala.

Ventura desvalorizou ainda Teresa Morais, afirmando que a social democrata não devia estar a presidir a sessão e que só o estava a fazer porque o também vice-presidente e deputado do Chega, Diogo Pacheco de Amorim, "hoje não quis presidir". Teresa Morais considerou a crítica "perfeitamente descabida e injusta" e defendeu que a Mesa da Assembleia da República "atua com isenção e imparcialidade" e convidou Pacheco de Amorim (que se sentava duas filas atrás de Ventura) a, caso quisesse, explicar o porquê de não ter querido presidir à sessão. 

"Não é o senhor deputado que diz à Mesa e me diz a mim ou a qualquer outro vice-presidente se nós deveríamos ou não deveríamos estar aqui. Não lhe compete, não é das suas atribuições", salientou, tendo sido aplaudida de pé por várias bancadas, entre as quais do PS e PSD. A social-democrata disse também que André Ventura "não tem onde se agarrar" para fazer esta acusação e considerou que "simplesmente há momentos em que o parece achar que as coisas estão relativamente calmas" e, por isso, "precisa de qualquer coisa que as vire do avesso", o que motivou pateadas, desta vez vindas da bancada do Chega.

Este incidente levou à interrupção do debate quinzenal durante vários minutos e motivou intervenções também dos líderes parlamentares do PSD e do PS, para se posicionarem ao lado de Teresa Morais. O social-democrata Hugo Soares expressou a sua "total solidariedade" com a colega de bancada e considerou que Teresa Morais conduziu os trabalhos "de forma legítima e de forma absolutamente competente e no cumprimento rigoroso do Regimento da Assembleia da República". E acusou André Ventura de usar um expediente para continuar o debate e de fazer "um triste espetáculo", pedindo "respeito pelas instituições" e pelas pessoas que assistiam à reunião plenária.

Pelo PS, Eurico Brilhante Dias afirmou que Teresa Morais "tem toda a legitimidade e a solidariedade institucional" dos socialistas para continuar a conduzir o debate.

"As instituições devem funcionar e o respeito pelas instituições é um pilar fundamental do funcionamento das democracias. Nós percebemos que os inimigos da democracia não gostam que as instituições funcionem", defendeu.

Com Lusa

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