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Seguro regressou "para unir" contra os "extremismos"

Rita Rato Nunes 19 de janeiro de 2026 às 01:15

Juntou família, amigos, vizinhos, ex-ministros do PS numa casa cheia e disse que aqui cabem "todos os democratas". Seguro passou à segunda volta em primeiro lugar (com 31,1% dos votos), tem o apoio declarado da esquerda e o adversário preferido - Ventura. Já fala sobre a tomada de posse.

“Quando foi a Covid, [Seguro] andou aí a bater às portas todas para deixar o número dele. Era para lhe ligarmos se precisássemos de algo. Quando os filhos dele fazem anos vai lá sempre pedir desculpa para o caso de haver muito barulho com a festa. A Margarida [Maldonado Freitas, a mulher] pergunta sempre se precisamos de algo da farmácia”, elenca José Tavares, 76 anos, vizinho da frente de António José Seguro. A esposa, Maria Tavares, 73 anos, acrescenta: “Abrem-nos sempre a porta para passar”. Estão sentados na segunda fila do auditório do Centro Cultural das Caldas da Rainha (com capacidade para 660 pessoas), que mais do que lotado está a rebentar pelas costuras para receber “o Presidente Seguro”.

António José Seguro discursa perante apoiantes com bandeiras de Portugal EPA/JOSE COELHO

Ainda não é Presidente, mas, desde o início da noite, que é como se fosse para todos quantos vieram às Caldas apoiar Seguro. Entraram confiantes; saíram em festa. Vieram comerciantes, os amigos, a família, os vizinhos, os conhecidos, o PS local e algumas figuras socialistas nacionais, como os antigos ministros socialistas Ana Jorge e João Soares, o ex-secretário de Estado do Trabalho Miguel Fontes, os deputados Miguel Costa Matos, Pedro Vaz, Davide Amaro e os ex-parlamentares Joana Lima, Pedro do Carmo. “É uma noite histórica. Tinha de vir de Lisboa”, diz Miguel Costa Matos, ex-líder da Juventude Socialista.

Seguro estava a jogar em casa e, por isso, encheu o Centro Cultural das Caldas, com pessoas de várias sensibilidades políticas, sociais, económicas: a imagem que ambicionava para pintar o discurso de vitória, em que afirmou querer ser o "Presidente de todos os portugueses". "Regressei [à política, depois de uma década fora] para unir o País. Jamais serei o Presidente de uma parte dos portugueses contra a outra parte", contrapôs aos ideais do adversário sobre quem diz ter "um oceano de diferença". 

"Venceu a democracia e voltará a ganhar no dia 8 de fevereiro", sublinhou, no discurso final, apelando ao voto de "todos os democratas, progressistas e humanistas" "contra os extremismos".

Apesar da confiança renovada nas urnas com o primeiro lugar da eleição (com 31,1% dos votos), e o apoio explicito para já de todos os partidos de esquerda, referiu que "em democracia nada está garantido - muito menos a vitória".

Sob a bandeira da "esperança", com "exigência e ambição", voltou a prometer dar respostas aos problemas nacionais, destacando a saúde, as desigualdades e a pobreza. E reafirmou a independência da campanha, "sem cartão partidário", numa altura em que Ventura tenta a todo o custa agregar o espaço "não socialista" contra Seguro. Já questionado sobre a falta de apoio de Luís Montenegro, o candidato desvalorizou e admitiu que não quer criticar o primeiro-ministro com quem já conta que terá uma relação institucional a partir de dia 9 de fevereiro. 

“Portugal deu um sinal de moderação”, dizia emocionada a cunhada de Seguro, Maria João Freitas, à SÁBADO a meio da noite. Andavam por esta altura as comparações com as eleições Presidenciais de 1986 de boca em boca: tal como Mário Soares também Seguro começou com poucas perspetivas de chegar a Belém e acaba a passar à segunda volta com boas hipóteses.

A equipa de Seguro não consegue esconder o alívio do adversário agora ser André Ventura, o candidato com a maior taxa de rejeição. Em todas as sondagens, Ventura perde no cenário da segunda volta. O último barómetro da Intercampus para o Negócios, CM e CMTV, colocava Seguro com 57,1% e Ventura com 32,4%. 10,5% dos inquiridos não responderam a este cenário.

A estratégia da campanha será a mesma - "pela positiva" -, indicou Seguro. "Vou manter a minha linha e coerência na estratégia", prometeu o candidato que já vê Belém cada vez mais perto. 

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