Rui Tavares deixa liderança do Livre
Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto a avançam numa candidatura conjunta ao cargo de porta-vozes.
O deputado Rui Tavares vai deixar a liderança do Livre, mantendo-se na lista à direção no congresso de julho, com Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto a avançarem em candidatura conjunta ao cargo de porta-vozes.
Isabel Mendes Lopes, atual porta-voz e líder parlamentar, é o primeiro nome da lista A candidata ao Grupo de Contacto (direção) do partido, à qual a agência Lusa teve acesso, recandidatando-se ao cargo.
Em segundo lugar surge Jorge Pinto, deputado, que foi candidato às eleições presidenciais de janeiro.
Ambos são candidatos, em dupla, ao cargo de porta-voz, definido nos estatutos do Livre como rotativo. Este cargo é atualmente exercido por Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes.
Rui Tavares, fundador e porta-voz do Livre desde 2022 e a principal figura do partido, agora de saída da liderança, figura em terceiro na lista. Apesar de deixar o cargo de porta-voz, vai manter-se como deputado. Internamente, o historiador propõe-se a ficar na direção com o "pelouro da estratégia, comunicação e formação".
Inês Pires, dirigente do partido e cabeça de lista em Leiria nas legislativas do ano passado, é a quarta candidata, seguida de Tomás Cardoso Pereira, chefe de gabinete do grupo parlamentar que exerceu este ano mandato como deputado em regime de substituição.
Na moção intitulada "Ampliar o Livre contigo", a lista A propõe uma nova forma de organização interna, criando o cargo de "secretário-geral para gestão operacional e coordenação de equipa", ao qual se candidata Tomás Cardoso Pereira.
A deputada Filipa Pinto, atualmente na direção, não surge nesta lista, por ter atingido limite de mandatos, mas candidata-se à Assembleia, órgão máximo entre congressos assim como Patrícia Gonçalves, atualmente coordenadora da Assembleia. A parlamentar surge também como suplente na lista à direção.
O deputado Paulo Muacho encabeça a lista ao Conselho de Jurisdição, órgão ao qual também se vai candidatar, numa lista opositora, o advogado Ricardo Sá Fernandes.
Na sua moção estratégica, a lista A propõe-se a consolidar o crescimento do partido, atualmente a quinta força política no parlamento, com uma bancada de seis deputados, tendo obtido o seu melhor resultado de sempre nas eleições legislativas de 2025.
Os candidatos defendem que o Livre está preparado para assumir funções governativas e deixar o papel de "partido de influência".
No texto, que traça a estratégia política para os próximos dois anos, o Livre critica o Governo por ter transformado o "não é não" ao Chega num "«veremos caso a caso» que se assemelha a um «sim é sim»" cada vez que precisa de aprovar um diploma no parlamento.
"A isto se acrescenta a não clarificação do PS e um alinhamento cada vez maior da IL e do Chega com as opções estratégicas do Governo. Tudo isto faz com que a responsabilidade do Livre como força de oposição seja ainda maior do que o recente crescimento do partido", é salientado.
Tal como aconteceu na última reunião magna, em 2024, apresentam-se três listas ao Grupo de Contacto, com duas opositoras à atual direção, afetas às mesmas correntes internas.
A lista S é encabeçada por Rodrigo Brito, que já integra a direção, uma vez que a eleição é feita através do método de Hondt, contando com membros de todas as listas candidatas. Há dois anos, esta corrente elegeu três membros para a direção. Natércia Rodrigues ou Patrícia Robalo são outros dos nomes.
Uma terceira corrente -- intitulada "Livretária" - volta a candidatar-se com a lista V, encabeçada por Tiago Mota. O dirigente assumiu o lugar na direção de João Manso, que em março deste ano se demitiu do cargo acusando os porta-vozes Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes de "decisões unilaterais".
João Manso surge em 13.º lugar na lista desta corrente, que há dois anos conquistou dois lugares na direção.
As duas listas queixam-se de uma excessiva centralização nas figuras dos porta-vozes e do grupo parlamentar, apelando a uma maior democracia interna e ligação com as bases. A lista V acusa mesmo a atual direção de uma "gestão financeira opaca".
O 17.º Congresso do Livre realiza-se nos dias 10, 11 e 12 de julho, em Sintra.