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Protesto contra agressão norte-americana na Venezuela juntou 1.500 pessoas em Lisboa

Lusa 05 de janeiro de 2026 às 19:50

Presentes na manifestação estiveram representantes do PCP e Bloco de Esquerda, bem como o candidato presidencial André Pestana.

Cerca de 1.500 pessoas manifestaram-se esta segunda-feira diante da estátua de Simón Bolívar em Lisboa para protestar contra a ilegalidade do ataque dos Estados Unidos à Venezuela no sábado.
Manifestantes pedem a libertação do Presidente Maduro, em Brooklyn Foto AP/Stefan Jeremiah
Numa concentração organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), os manifestantes condenaram com veemência a "agressão militar norte-americana" com palavras de ordem como "Pela paz! Não à agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela" ou "América Latina não é o quintal dos Estados Unidos". O presidente norte-americano foi especialmente visado, ressaltando a palavra de ordem: "Donald Trump, sua besta assassina, tira as tuas mãos da América Latina". Presentes na manifestação entre uma vasta comunidade sul-americana, sobretudo composta por brasileiros, estiveram representantes de partidos políticos como o PCP e Bloco de Esquerda, bem como o candidato presidencial André Pestana. Numa intervenção, a presidente do CPPC, Isabel Camarinha, antiga líder da central sindical CGTP, considerou a agressão "totalmente ilegal à luz do direito internacional", sublinhando que "não cabe aos Estados Unidos determinar as opções políticas e económicas de nenhum Estado". Com críticas à incapacidade de atuação da UE e sobretudo à "fraca reação do Governo português", Isabel Camarinha sublinhou que os EUA "pretendem apoderar-se dos imensos recursos naturais da Venezuela, país que tem as maiores reservas petrolíferas do mundo". Ainda sobre o Governo português, a líder do CPPC reclamou do executivo "uma clara condenação da agressão militar dos Estados Unidos à Venezuela, em consonância com os princípios da Constituição portuguesa, que preconiza o respeito pela soberania e os direitos dos povos e a eliminação de todas as formas de dominação nas relações entre Estados". Rodeada por algum aparato policial, a manifestação na avenida da Liberdade decorreu pacificamente a partir das 18h00 e começou a desmobilizar pelas 19h20. No sábado, os EUA lançaram "um ataque em grande escala" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, Cilia Flores. Trump anunciou que os EUA vão governar o país até se concluir uma transição de poder. Maduro e Flores prestaram já breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. Vão continuar detidos até à próxima audiência marcada para 17 de março. A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro. A UE defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição Maria Corina Machado e Edmundo González e o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região, mostrando-se preocupado com a possível "intensificação da instabilidade interna" na Venezuela.
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