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Presidenciais: As posições dos candidatos e líderes políticos sobre uma 2.ª volta

Lusa 15 de janeiro de 2026 às 12:13

As únicas presidenciais da democracia portuguesa que obrigaram a uma segunda volta realizaram-se em 1986, entre Freitas do Amaral e Mário Soares, dividindo então o país entre esquerda e direita.

Após 10 anos com Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República, sempre eleito à primeira volta, as eleições presidenciais deste ano, com um recorde de 11 candidatos, estão marcadas pela forte probabilidade de uma segunda volta.
Candidatos presidenciais abordam temas da saúde e imigração DR
As únicas presidenciais da democracia portuguesa que obrigaram a uma segunda volta realizaram-se em 1986, entre Freitas do Amaral e Mário Soares, dividindo então o país entre esquerda e direita. Eis alguns pontos essenciais sobre as posições dos candidatos e líderes políticos sobre uma segunda volta que, a realizar-se, decorrerá em 08 de fevereiro:

Luís Marques Mendes, apoiado por PSD e CDS-PP

O candidato afirmou que tem uma "profunda convicção" de que será o candidato mais votado na primeira volta das eleições presidenciais e passará à segunda volta. Em novembro, algumas sondagens davam-lhe a possibilidade de disputar uma eventual segunda volta, o que, disse, o deixava "muito satisfeito" mas "com humildade e sem nenhuma ponta de arrogância ou de triunfalismo". Na semana passada, algumas sondagens revelaram-se desfavoráveis a Marques Mendes, colocando o candidato apoiado por PSD e CDS-PP em quinto lugar. O presidente do PSD, Luís Montenegro, apelou à concentração do voto em Marques Mendes, de "socialistas moderados, liberais, sociais-democratas e democratas-cristãos", avisando que votar em João Cotrim Figueiredo ou António José Seguro não garante uma segunda volta sem "dois candidatos populistas".

André Ventura, apoiado pelo Chega

O candidato presidencial admitiu que não passar a uma segunda volta das eleições de janeiro será uma derrota e que, se lá chegar, será uma batalha difícil, porque estarão "todos contra" si. O candidato apoiado pelo Chega, que em setembro apostava numa segunda volta consigo e Henrique Gouveia e Melo, considerou durante a campanha que a desistência dos candidatos de esquerda aumentaria a probabilidade de António José Seguro passar à segunda volta, o que se acontecesse na véspera das eleições seria para si "uma fraude". Num cenário de segunda volta que o oponha a António José Seguro, André Ventura remeteu para a "consciência" do presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, uma decisão sobre um eventual apoio à sua candidatura.

António José Seguro, apoiado pelo PS

O candidato tem vindo a apelar ao voto útil dos eleitores de esquerda e centro-esquerda, defendendo ser a única candidatura daquela área política em condições de passar à segunda volta. Para o candidato apoiado pelo PS, sem o "voto alargado" da esquerda e centro esquerda na sua candidatura, a segunda volta ficará reduzida "a uma escolha limitada e empobrecida". Seguro rejeitou votar em André Ventura numa hipotética segunda volta, por se considerar o candidato moderado mais bem posicionado para ganhar, acrescentando que os opositores à sua direita prometem ajudar-se "uns aos outros". O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, alertou os candidatos presidenciais de esquerda que António José Seguro é o único nome com hipóteses de levar a esquerda à segunda volta, frisando que a "pulverização apenas beneficia a direita e a extrema-direita".

Henrique Gouveia e Melo

O almirante afirmou que aceitará apoios de partidos se passar à segunda volta das eleições, mas recusará ser condicionado, e manifestou-se contra "o voto útil partidário" na primeira volta, no dia 18. O candidato, que diz ser o único fora do sistema, manifestou-se confiante de que irá disputar a segunda volta das eleições presidenciais, nas quais "terá necessariamente" o apoio de partidos.

João Cotrim Figueiredo, apoiado pela IL

O candidato assumiu desde logo como objetivo passar à segunda volta das eleições, admitindo que a "disputa mais interessante" seria entre si e António José Seguro porque são os adversários que têm maior "clivagem de visão de sociedade". Ao nono dia oficial de campanha, dia 'horribilis' para Cotrim Figueiredo em que foi também acusado de assédio sexual por uma ex-assessora, o candidato apoiado pela IL admitiu apoiar André Ventura numa segunda volta. Horas depois, Cotrim Figueiredo garantiu não querer André Ventura como Presidente da República e admitiu ter sido "pouco claro" quando disse que não excluía apoiar nenhum candidato numa eventual segunda volta. A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, acusou o primeiro-ministro e presidente do PSD de tentar que "os mesmos de sempre continuem a governar" ao apelar à concentração do voto em Luís Marques Mendes, preferindo apelar ao "voto livre" e a "que as pessoas votem na sua primeira escolha".

Jorge Pinto, apoiado pelo Livre

O candidato foi acusado de "ziguezaguear" relativamente a uma eventual desistência a favor de António José Seguro. Em novembro, em entrevista à Lusa, o candidato disse que não lhe passava pela cabeça naquele momento desistir, mas admitiu esse cenário perante determinadas condições: que o candidato em causa seja de esquerda e esteja alinhado com o "pacto republicano" que propôs, em áreas como a saúde ou a habitação. No debate com o candidato apoiado pelo PS, Jorge Pinto negou que alguma vez tenha admitido desistir exclusivamente a favor de Seguro, garantindo ir até ao fim na primeira volta. Num debate transmitido pelas rádios Antena 1, Renascença, TSF e Observador, Jorge Pinto, ao contrário do que fizeram Catarina Martins e António Filipe, não disse taxativamente se pretendia desistir ou não até dia 18 de janeiro, limitando-se a afirmar que vai "estar na corrida" a Belém. Já no único debate com os 11 candidatos, transmitido pela RTP, o candidato apoiado pelo Livre afirmou que não será por si que António José Seguro não será Presidente da República, desafiando os restantes candidatos da esquerda a evitarem uma vitória da direita nas eleições deste mês. Dias depois, Jorge Pinto assegurou que a sua candidatura a Belém "vai até ao fim", dada a falta de resposta da restante esquerda para um "pacto republicano" nestas eleições, e considerou que o voto útil é oportunista, defendendo que os portugueses "estão fartos de ter de escolher entre o menos mau". Caso André Ventura chegue à segunda volta das eleições, Jorge Pinto anunciou que vai declarar o seu apoio a qualquer candidato que concorra contra o líder do Chega.

António Filipe, apoiado pelo PCP e PEV

O candidato recusou desde cedo ponderar uma desistência a favor de qualquer outro concorrente às eleições presidenciais, considerando que isso "não faz qualquer sentido" porque a sua candidatura "não é substituível" e apontando que a segunda volta das eleições presidenciais só existe depois de contados os votos da primeira. António Filipe considerou que o voto útil é "uma desgraça" e afirmou que a sua candidatura de esquerda tem "ambição legitima" de lutar pelo resultado, de passar à segunda volta, salientando que não se pode votar "com base no medo". O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou que a candidatura de António Filipe à Presidência da República é assumidamente de esquerda, sem rodeios nem disfarces, com "zero compromissos" com a política de direita e é a que "não desiste".

Catarina Martins, apoiada pelo BE

A única mulher na corrida a Belém evitou, ao longo da campanha, teorizar sobre os resultados da primeira volta das eleições presidenciais e sobre uma eventual segunda, mas rejeitou desistir a favor de António José Seguro, acusando-o de ter viabilizado orçamentos que "iam contra a Constituição". Catarina Martins respondeu ao apelo ao voto útil de António José Seguro sublinhando que as sondagens não são a primeira volta das eleições e que é o voto por convicção que muda o país, assegurando que numa eventual segunda volta votará "sempre contra a indecência e a selvajaria", referindo-se, implicitamente, a André Ventura.

Manuel João Vieira

Desistir a favor de um candidato antes de uma segunda volta é uma coisa que não "passa pela cabeça" do músico dos Ena Pá 2000, que só depois de 18 de janeiro e, caso não seja um dos dois mais votados, refletirá sobre quem apoiaria para a Presidência da República.

André Pestana

Sobre o sentido de voto numa segunda volta caso não esteja presente, André Pestana explicou que o programa foi construído para que seja um coletivo a definir esse sentido de voto, o que só vai acontecer no fim de semana 24 e 25 de janeiro.

Humberto Correia

O pintor algarvio rejeitou terminantemente a possibilidade de desistir em favor de um dos outros 10 candidatos, considerando que isso seria desiludir as cerca de 10 mil pessoas que subscreveram a sua candidatura.
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