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PCP diz que derrota do pacote laboral foi "grande vitória" dos trabalhadores

Lusa 20 de junho de 2026 às 21:01

"Saiu-nos do pelo, mas valeu bem a pena. Nos últimos tempos não temos tido a vida fácil, aproveitemos agora para festejar", sublinhou.

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Paulo Raimundo, disse este sábado, em Gouveia, que o chumbo do pacote laboral foi "uma grande vitória dos trabalhadores, da CGTP e do PCP, que não vacilaram".

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, participa no protesto nacional ANTÓNIO COTRIM/LUSA

"Saiu-nos do pelo, mas valeu bem a pena. Nos últimos tempos não temos tido a vida fácil, aproveitemos agora para festejar", sublinhou Paulo Raimundo na sua intervenção na 11ª Assembleia da Organização Regional da Guarda do PCP, que decorreu este sábado em Gouveia.

O líder comunista considerou mesmo que esta reunião foi a "primeira grande ação de festejo da queda do pacote laboral".

"Foi uma grande vitória dos trabalhadores, do movimento sindical, da CGTP. É também uma grande vitória do PCP, que não vacilou, porque este pacote laboral não podia passar, pois implicava com a vida dos trabalhadores", afirmou.

Segundo Paulo Raimundo, "desde 24 de julho de 2025 [com a apresentação da proposta da nova lei laboral], foram 330 dias de resistência e de luta, em que os trabalhadores não pararam".

"Foram 330 dias que abalaram os desejos daqueles que se achavam donos disto tudo, que isolaram o Governo e todas aquelas golpadas, manobras, cambalhotas, daqueles que tudo fizeram para, até ao último minuto, apoiar este pacote laboral".

O desfecho, para Paulo Raimundo, comprova que "a força do trabalho é muito maior, se unida, do que a força do capital".

"Derrotámos o Governo e este seu objetivo, foram derrotadas as retrógradas confederações patronais - parece que há aí quem quer voltar à carga, volte, faça o que quiser, venha com toda a força que tiver. Depois disto, vamos ver quem tem a coragem de acompanhar a CIP ou outras CIP", realçou.

Outros derrotados, disse, foram "o PSD e o CDS, a Iniciativa liberal, mas também o partido das cambalhotas, o partido da farsa, o tal partido Chega, que parece que gostou de ser contra o próprio voto contra que esteve na própria Assembleia da República".

Para o líder do PCP, o Chega "é um partido que é tão vertical, tão rígido, que nem uma gelatina fora do frigorífico".

"Como sempre dissemos, estávamos perante um partido que estava encalado, porque, se é verdade que viabilizar o pacote laboral ia de encontro àqueles a quem serve, por outro lado, continuava a alimentar toda esta sua demagogia, mentira e hipocrisia junto dos trabalhadores".

Paulo Raimundo concluiu que "essa mentira e essa hipocrisia ficaram bem expostas durante todo o processo" e acusou o Chega de "não ter aguentado a pressão" face "à gravidade do que estava em causa" com o pacote laboral.

"O que aconteceu nestes 330 dias de luta, não foi apenas a derrota do pacote laboral, foi também a abertura do novo ciclo que se impõe na vida de quem trabalha. Uma enorme vitória no plano social, uma enorme vitória no plano político, mas também, uma enormíssima vitória do ponto de vista ideológico", sustentou Paulo Raimundo.

Segundo o secretário-geral do PCP, "está agora aberto um novo ciclo: é hora dos trabalhadores exigirem e construírem a virtude e a mudança com a sua, já muito apertada, situação social e económica".

"Porque se há quem sabe bem que a situação atual não é boa são os trabalhadores, são eles que têm a vida difícil, e é por isso que devem agora lutar para acabar com a precariedade e avançar para a regulação, para haver tempo para viver, para acompanhar os filhos e para uma vida mais estável".

Muito aplaudido, Paulo Raimundo assegurou que "é mesmo a hora dos trabalhadores exigirem uma mais justa distribuição da riqueza, dessa riqueza que são os trabalhadores, e mais ninguém, que criam todos os dias".

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