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No naufrágio do Almirante, Rui Rio afiou a faca ao PSD

Tomás Guerreiro 18 de janeiro de 2026 às 23:31

A noite foi escura para Henrique Gouveia e Melo. "Estas eleições presidenciais foram umas legislativas", afirmou.

Às 22h17, o candidato Gouveia e Melo fez a primeira aparição após a divulgação dos resultados: um pequeno séquito seguiu-o em direção à data do discurso: "Almirante, amigo, o povo está contigo, entoavam com bandeiras de Portugal". Mas o povo não esteve com Gouveia e Melo, dando-lhe o 4° lugar nestas eleições presidencial: "Acabei de dar os parabéns a José Seguro pelo resultado", afirmou.
Gouveia e Melo discursa com apoiantes JOSÉ SENA GOULÃO/ LUSA
Com a convicção que "a Presidência deve ser um espaço ... suprapartidário e despartidarizado...", Gouveia e Melo candidatou-se à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Por isso, "propus-me a este desafio, para trazer uma lufada de ar fresco à vida publica", afirmou. E fez um mea culpa do resultado: "Não foi o que esperei". Mas saliente os pontos positivos: "Foi uma experiência que muito me honrou, a forma como fui acolhido em todo o País. Este movimento conseguiu agregar muitas pessoas diferentes", afirmou sob ovações e aplausos: "Portugal pode e deve ser um espaço de convergência mesmo quando há diversidade de opiniões". Agradeceu aos jovens - e vários começaram a gritar: "Nada pára o Almirante". E deixou um agradecimento aos 600 mil portugueses que acreditam num Portugal diferente. Deixou uma palavra de respeito e felicitações aos candidatos que passaram à segunda volta: André Ventura (23,29%) e António José Seguro (31,22%). "Após 45 anos a servir Portugal, o País continuará a contar comigo, com a minha voz e o meu empenho", afirmou e os cânticos seguiram-se entoados por um grupo de jovens: "Já não pára Almirante, já não pára" - e concluiu o discurso: "Obrigado". Seguiram-se as questões dos jornalistas. Quem apoiará Gouveia e Melo na segunda volta? Qual a orientação de voto do capital político que conquistou? "Ninguém é dono de ninguém", respondeu à comunicação social. Sobre o tombo desde o primeiro lugar nas sondagens para o quarto nos resultados, afirmou: "Nós não estivemos verdadeiramente numas presidenciais, foram mais umas legislativas" - e um candidato independente ressente-se, assegura. "Muito obrigado a todos", terminou com o V de vitória uma noite de derrota.

Rui Rio, o "fazedor" de reis

O ex-líder do PSD e ex-autarca da Câmara do Porto, Rui Rio, foi um dos principais apoiantes da candidatura de Henrique Gouveia e Melo. Tanto por considerar que "a Presidência precisa de um independente para executar as reformas que o país necessita: justiça e economia", como por oposição a Luís Marques Mendes, cujo resultado foi abaixo do Almirante Gouveia e Melo: 11.34%.  O político falou aos jornalistas após Gouveia e Melo, à saída da sala onde assistiu sentado na linha da frente ao discurso do Almirante. "O resultado do candidato apoiado pelo PSD é um tema profundo", disse e acrescentou de forma subliminar que o "primeiro-ministro", Luís Monternegro terá de tirar ilações sobre o futuro da liderança do PSD. E salientou que o resultado de Henrique Gouveia e Melo foi: "O de umas eleições presidenciais que se tornaram numas legislativas". Sobre os resultados gerais, deixou uma nota: "É preocupante para o PS e o PSD, o resultado da IL e do CHEGA, o sistema partidário está a sofrer uma mutação", sinalizou sem declarar apoio público a nenhum dos dois candidatos na segunda volta, bem como o fez Luís Montenegro: "É prematuro assumir o apoio a um candidato na segunda volta", concluiu. Horas antes, na sala, nenhum dos apoiantes de peso de Gouveia e Melo era visto: nem Isaltino, nem "Chicão". Só Rui Rio ao entrar pela garagem. Apenas um fundo azul, a celebrar Gouveia e Melo como presidente: uma impossibilidade face aos resultados, pelo menos nestas eleições presidenciais de janeiro de 2026 - e, para lá do barulho das luzes, a noite foi escura e silenciosa.
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