Quase duas semanas após a tempestade, e apesar dos esforços já desenvolvidos, Tiago Carrão admitiu que "o processo de recuperação ainda está longe de concluído".
A tempestade Kristin provocou 723 ocorrências no concelho de Tomar, distrito de Santarém, afetando habitações, escolas e infraestruturas, com cerca de mil pessoas ainda sem energia elétrica, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara, Tiago Carrão.
Tempestade Kristin causa estragos em Tomar e exige meses de recuperaçãoFacebook/Município de Tomar
Quase duas semanas após a tempestade, e apesar dos esforços já desenvolvidos, Tiago Carrão admitiu que "o processo de recuperação ainda está longe de concluído".
Segundo o autarca, o município tem "plena consciência das dificuldades que persistem" e "nos próximos dias e semanas, haverá muito trabalho em habitações, infraestruturas e serviços essenciais".
Na segunda-feira, em reunião de Câmara, Tiago Carrão detalhou as ocorrências registadas e explicou que o Plano Municipal de Proteção Civil foi ativado às 08:10 do dia 28 de janeiro, mantendo-se ainda em vigor, com o posto de comando operacional instalado nas salas de sessões do edifício municipal.
"Desde as 05:00 desse dia e até domingo foram registadas 723 ocorrências, embora este número subestime a realidade devido a falhas de comunicação nos primeiros dias", notou.
Em informação enviada hoje à Lusa, Tiago Carrão detalhou que as ocorrências envolveram 313 quedas de árvores, 150 situações de colocação de lonas e danos em telhados, 68 desabamentos, 53 inundações, 20 quedas de postes e 121 outros serviços, incluindo sinalização de vias e abastecimento de água.
Destacando o trabalho "incansável" dos serviços municipais e parceiros, o autarca referiu que "equipas dos bombeiros de Tomar, Entroncamento e Torres Novas, brigadas de sapadores florestais, grupos de bombeiros da Grande Lisboa e equipas do Exército continuam no terreno, a apoiar as famílias nas habitações mais afetadas".
"Todos os esforços estão concentrados em garantir assistência às pessoas", salientou.
O presidente da Câmara de Tomar salientou ainda os constrangimentos na rede elétrica, afetando mais de 380 quilómetros de linhas de média tensão, com 40 unidades de média tensão e mais de 200 de baixa tensão derrubadas.
"Atualmente, ainda cerca de mil clientes estão sem energia elétrica. Temos 13 geradores ligados para apoiar as famílias enquanto se restabelece a situação", disse, indicando que, no pico dos trabalhos, estiveram mais de 70 técnicos da E-Redes no concelho.
Quanto à habitação, Tiago Carrão explicou que a unidade de missão criada pelo município registou 585 ocorrências, das quais 395 referem-se a habitações.
"As nossas equipas técnicas visitaram todas as freguesias e estão a realizar intervenções de emergência e reparações sempre que possível. A prioridade é sempre apoiar as habitações mais vulneráveis", afirmou.
O autarca destacou ainda intervenções em 16 edifícios escolares, dezenas de habitações, 12 edifícios e equipamentos municipais, incluindo pavilhões, complexo desportivo, sinagoga e centros de saúde, além de 146 intervenções no arvoredo.
"Foram limpos mais de 250 quilómetros de vias e utilizados mais de seis mil litros de gasóleo para geradores e máquinas. Este é um esforço coletivo enorme", disse.
No plano social, foram realojadas 20 famílias, servidas mais de 600 refeições e realizados mais de 200 banhos quentes.
O autarca social-democrata referiu também que o município disponibilizou apoio psicológico, espaços de 'coworking' e biblioteca para quem ficou sem condições em casa, criou uma bolsa de voluntariado com quase 200 inscritos e ativou mecanismos de apoio, incluindo formulários de reporte de danos, apoio a candidaturas da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e esclarecimentos sobre seguros.
Contudo, acrescentou, apesar de a situação estar "mais estabilizada", o processo está longe de ficar encerrado.
"Prevemos ainda semanas ou meses de trabalho. Entramos agora numa fase mais planeada, focada na reparação dos danos e na preparação do futuro, com o programa municipal 'Recuperar Tomar', que incluirá medidas de apoio a famílias, empresas, associações e instituições", disse.
A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta em Portugal provocou a destruição de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, além de 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo têm sido as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.