O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
Pelo menos 35 pessoas tiveram de ser retiradas de casa no concelho de Almada, entre as quais 22 idosos de um lar, devido a deslizamentos de terra ou galgamento costeiro, disse esta quarta-feira a presidente da autarquia.
O momento em que encosta da Costa da Caparica desaba parcialmente
Em conferência de imprensa, a presidente da Câmara Municipal de Almada, no distrito de Setúbal, explicou que os deslizamentos de terra nas arribas são uma das grandes preocupações.
"Estamos com problemas, como viram, de deslizamento de terras, que é a nossa grande preocupação, porque está tudo muito encharcado", disse Inês de Medeiros.
Na zona da Costa da Caparica, explicou, São João e Santo António são as zonas onde têm ocorrido os maiores deslizamentos de terra, "sem danos de maior", tendo as pessoas sido convidadas a sair.
"Felizmente, muitas destas casas são segundas habitações, portanto, à partida, muita gente não estava cá, mas houve, de facto, pessoas que foram retiradas, embora não precisassem de serem realojadas pela Câmara", disse.
Inês de Medeiros adiantou que numa outra zona, na Azinhaga dos Formozinhos, foram retiradas quatro famílias, tendo duas delas sido realojadas pela autarquia.
Na zona do Segundo Torrão, acrescentou a autarca, devido ao galgamento costeiro, tiveram de ser retiradas duas famílias com cerca de 10 pessoas e, na Cova do Vapor, as vias de acesso foram cortadas, estando no local equipas de vigilância.
Os 22 idosos que tiveram de ser retirados de um lar na Charneca da Caparica, depois de um muro de um lote adjacente ter desabado sobre o edifício, foram alojados num outro lar em Setúbal.
Além destes casos, a presidente fez também referência à queda de parte do muro do Seminário de Almada, na noite de terça-feira, que danificou viaturas, e ao abatimento de parte da zona do cais do Ginjal que não tinha sido requalificada.
Para a autarca, o abatimento de terras na zona do Ginjal registado hoje "prova bem a urgência" da intervenção realizada na zona.
"Ainda bem que o fizemos, porque senão a situação poderia ser muito mais complicada", disse.
Portugal continental está agora ser afetado pela depressão Leonardo, prevendo-se até sábado chuva persistente e por vezes forte, queda de neve, vento e agitação marítima forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Há uma semana o país foi atingido pela depressão Kristin, que atingiu sobretudo a região Centro e levou à morte de 11 pessoas, à destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações.
Há ainda a registar centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.